ANO 4 Edição 54 - MARÇO 2017 INÍCIO contactos

Christina Montenegro


CURIOSIDADES SOBRE O TÍTULO DO LIVRO “HOMEM AINDA NÃO EXISTE – COMPARTILHANDO REFLEXÕES PARA QUE ELE EXISTA”

Antes de ler, muitos me perguntam o quê exatamente quero dizer quando afirmo no título que “HOMEM AINDA NÂO EXISTE”. Frequentemente acrescentam à primeira pergunta o complemento: “Se isto se dá, acontece independente de classes sociais, econômicas, culturais, etc, ou depende dessas questões?”

 

A brincadeira que faço com a fala de Lacan (‘Mulher não existe’) independe dessas classificações (classes sociais, econômicas, culturais, etc), porque no planeta existem muitos homens, mas 'O Homem' (chamamento pelo coletivo que caracteriza um ‘Ator Social’, nomenclatura do universo da sociologia) ainda não.
O contingente masculino é a única categoria de Gênero que ainda não debateu autonomamente suas questões singulares, não tendo consequentemente se organizado (autonomamente) para fazê-lo; ao menos não até agora.

 

Não precisamos mais falar ‘as mulheres’; se falamos ‘A Mulher’ sabemos que falamos das mulheres.
Não precisamos mais falar ‘as lésbicas, os gays, os bissexuais, os travestis, os transgêneros’, etc; falamos LGBTT* e compreendemos a que universo social de Gênero nos referimos.
Mesmo nos países mais resistentes ao debate das questões de Gênero há muito tempo existem ONGs para acolher um caso quando ele se trata da Mulher ou de LGBTT*: isso é fruto dessa organização (e desse poder) conquistada(os) por esses grupos.

 

Para falar dos homens continuamos precisando falar... dos homens.
Não há – ainda – um coletivo que o represente psicosocial/econômica/politicamente.
Não houve sequer reflexão, diálogo e negociação responsável e significativa entre os homens  gays,  transgêneros, e os homens que se percebem heterossexuais: é esse conjunto que compõe o que chamamos desde os anos 80 de “as Masculinidades”.

 

Já existem raras e pequenas ‘ilhas de reflexão’ sobre as Masculinidades; mas elas têm nascido de lugares muito bem definidos e comprometidos com o Pensamento em geral: a Academia, Ongs, Instituições.
Os raros movimentos institucionais existentes não são fruto de movimentos populares, espontâneos, emergentes, horizontais (como ocorreu com a Mulher e LGBTT*), e sim fruto de preocupação e iniciativa vertical; dependem de convocação institucional.
Não houve ainda um desejo autônomo manifesto de encontro e organização da parte das Masculinidades, ou como nos habituamos a dizer, do ‘homem comum’.

 

Logo, Homem (no coletivo, o Ator Social) ainda não existe.
 
Desenvolvo meus textos como questionamentos, pois na verdade mais que ‘idéias’, prefiro ter ‘perguntas’ que tentam provocar reflexões.
Por isso, minha maior colaboração ao debate dessa ‘ainda-não-existência’ parte de tres perguntas básicas, aqui designadas A B e C, que se subdividem ao longo do próprio livro e já em outros textos que tenho desenvolvido:

 

A -  Verificando as estatísticas de acidentes e suas sequelas, de adoecimentos, de internamentos (inclusive psiquiátricos), de confrontos violentos urbanos ou bélicos, de aprisionamentos, e de mortes, os números mais elevados estão com os homens.
Que PODER AUTOFÁGICO é esse que as estatísticas plane¬tárias exibem sobre o contingente masculino?
PARA QUE ‘TRIUNFO’ serve, afinal, exibir seu suposto poder (indis¬cutivelmente ainda real), se o preço desse poder é um implacável teor de  SOFRIMENTO e LETALIDADE?

 

B -  Porque os HOMENS pertencem à única CATEGORIA DE GÊNERO que NÃO SE ORGANIZOU?
Estaria esta poderosa categoria ‘engambelada’ pelo seu pró¬prio poder retórico e burocrático, como se estes poderes fossem ‘suficientes’, como se o preço da não-organização fosse ‘barato’ (o que as estatísticas de sofrimento e letalidade desmentem!), e a organização com seus iguais ‘desnecessária’?
Tão ‘engambelada’ que se faz de cega diante das estatísticas já citadas que apontam à autofagia desse seu ‘poder’ como se fossem os únicos que ‘não lêem os jornais’?
Tão ‘engambelados’ que parecem ignorar o significado de TER QUESTÕES PRÓPRIAS a debater?

 

C - Se parece tão inapto para a gerência da ESFERA ÍNTIMA como é frequentemente pontuado, é (está) de fato apto para a gerência da ESFERA PÚBLICA?
Quem ainda não sabe conversar sequer CONSIGO MESMO, ou não desenvolve o exercício desse produtivo solilóquio como poderia, pode afirmar que sabe conversar com o OUTRO?
Está apto a dialogar com a SOCIEDADE, ou (ainda mais grave!) a falar/agir EM NOME DELA?

 

Por suas amplitude, complexidade, e exigência dialógica, essas três perguntas são levadas, ao longo do livro para os universos socio-culturais, político, e econômico que habitamos.

 

Outra pergunta que me fazem, é se antes, no passado, a mulher é que “não existia”; ou não? O que aconteceu nesse sentido?

 

Quando o Lacan falou “A Mulher não existe”, foi elogioso! Não sou exatamente ‘fã’ dele; admiro, respeito seus textos, e “pesco” deles o que me parece pertinente para reflexões, mas nem a beleza de seus textos me seduziram teorica-tecnicamente para a prática clínica!
Ele se referia ao fato de que os homens tinham ao menos um ‘modelo’, nas figuras do Pai AncestralTirânico e seus filhos que o assassinaram, como lembra Freud em ‘Totem e Tabu’.
Ele se referia também a ausência desse tipo de modelo para as mulheres, que – no lugar disso – teriam desenvolvido um estilo identitário “La Donna é Móbile” de ser.
Tão ‘Móbile’ que foram driblando (e continuam driblando) todos os obstáculos que os debates de Gênero apresentavam (e apresentam) como sabemos, inclusive o da separação classificatória citada no início desse texto (classes sociais, econômicas, culturais, etc), para se tornar A Mulher.

 

Quando as mulheres começaram a se reunir e organizar, não havia “convocação vertical”, e muito menos houve “decreto”; as classificações não roubavam o desejo do encontro; deixava de ter suposta importância o que viesse a ‘separá-las’ por conta de suas origens psicosociais/econômicas/culturais; os grupos surgiam e se organizavam porque eram mulheres, tinham questões singulares em comum a debater, e pronto!

 

Infelizmente (ao menos certamente no Brasil), essa qualidade de organização desse e de outros movimentos civis (Movimento Negro, Movimento Sindical, etc) foi fragmentado pelo partidarismo político, que foi uma das coisas mais graves a enfraquecê-los: lamentável. Fragmentar agrupamentos espontâneos para dispersá-los é uma ‘arte’ maléfica própria ao que denomino Caldo Cultural Patriarcalista-Patrimonialista...

 

O questionamento que costuma vir em seguida é se as mulheres - mães, irmãs, namoradas, esposas, amantes, temos alguma participação, alguma responsabilidade nesta não-existência de nossos homens.
Costumo responder que a única que vale a pena pontuar é o pacto que algumas fazem com o mesmo CALDO CULTURAL PATRIARCAL PATRIMONIALISTA que a maioria dos homens (e mesmo muitos elementos LGBTT*) adotam e transpiram.

 

Não há “VILÃO-DE-GÊNERO”!...
Se é para nomearmos algum “vilão” real na Tragédia Humana é o fenômeno desse CALDO, que ainda está (e como!) na atmosfera socio-cultural que respiramos.
Como creio que sabem por outros textos meus, tenho horror à nomenclatura “machismo/machista”; dá a impressão que é “coisa de machos”, o que é absolutamente injusto. O que há é esse ‘Caldo’, que nos acompanha (com picos de maior ou menor ‘triunfo’ – duvidoso, claro – ) ao longo da história da humanidade. Sobre esse tópico específico, recomendo a leitura do meu texto publicado anteriormente no link http://www.incomunidade.com/v53/art.php?art=60

 

Particularmente quanto ao discurso teórico sobre o assunto Gênero, tenho afinidade maior com a Mulher européia (Elizabeth Badinter, por exemplo) que com a Norte-Americana. Mas também fico feliz – é claro - quando sou surpreendida – por exemplo - pela Psicanalista Feminista (ela mesma assim se intitula) Nancy Chodorow, ou pela Acadêmica Marjorie Garber, ambas Norte-Americanas. Recomendo a leitura dos textos das três, especialmente os que se referem às questões de Gênero, e acrescento ainda, na recomendação, os da psicanalista Neo-Zelandesa Juliet Mitchell.

 

Mulheres que repitam sumariamente o que homens fizeram por milênios (e ainda fazem), coisas aliás das quais as mulheres (supostamente) tinham horror, coisas que as mulheres criticavam, coisas pelas quais as mulheres se lamentavam, não posso chamar de “revolucionárias”. Por enquanto me limito a chamar de “reativas” ou de “mulheres patriarcalistas-patrimonialistas”.

 

Tenho grande simpatia pelos(as) ‘heréticos(as)’, pelos ‘desobedientes’, pelos aventureiros: os que conhecem a Tradição, e EXATAMENTE POR ISSO escolhem autonomamente desobedecer, propondo coisas novas ou ‘refrescadas’; é preciso conhecer minimamente para poder ‘romper com’, de fato.
No Brasil Rose Marie Muraro, a Irmã Ivone Gebara e Rosiska Darcy se tornaram luzes fundamentais quanto a Mulher contemporânea, e quanto o Caldo Cultural Patriarcalista-Patrimonialista; leitura que igualmente recomendo.

 

Mulheres que criticam OUTRAS mulheres meramente pela maneira como se vestem, como dançam, ou pela mera estilística de vida escolhida (por exemplo), vomitam o mesmo desserviço que o caldo cultural patriarcalista patrimonialista costuma fazer no olhar da maioria dos homens ou das Masculinidades.
Se ainda há também tantas mulheres e elementos LGBTT* que perdem tempo nesse vômito reativo (mas contraproducente), é claro que o caldo cultural-vilão é com isso ainda mais “encorpado”: um perigo num Mundo onde estão também os homens (hetrossexuais inclusive, mas não só eles), e onde todas  as categorias de Gênero precisam umas das outras para refletir sobre a Vida, para se responsabilizar pela continuidade da Vida, para agir na Vida.

 

Não aceitar colocar no próprio colo a responsabilidade de “mudar os homens” é importantíssimo para as mulheres.
SE eles quiserem mudar coisas, que ‘DESCUBRAM’ isso, que DESEJEM isso: ver sua singularidade no espelho, e refletir/responsabilizar-se/agir com autonomia em função de sua categoria de Gênero é um exercício inadiável para os homens (com inevitáveis reflexos para todos os que com eles convivem).
Todas as vezes em que as mulheres mudaram, os homens foram obrigados a repensar coisas e gerar - no mínimo - novos acordos de convivência; muitas vezes, novos comportamentos para todos.
Mas ‘dar papinha de mamão com mel na bôca’ dos homens, como se eles fossem bebês, não ajudaria: eles precisam descobrir que têm fome, que comem, que tem paladares diferentes, e que podem se alimentar sozinhos se souberem quem são e como/onde desejam ir, se desbravarem suas próprias características identitárias, e que isso pode ser existencialmente vantajoso.
Eles precisam descobrir que têm INTERIORIDADES, e DESEJAR cuidar delas.
Eu evidentemente acredito na POTÊNCIA reflexiva das Masculinidades, ou dos homens.
Se há POTÊNCIA, há PODER mas há também o DIREITO das Masculinidades de refletir sobre si mesmas autonomamente: é uma CONQUISTA plausível.

 

Ninguém aceita mais aquela conversa hipócrita para boi dormir sobre ser “ser as mulheres que deseducam os homens”; já ficou claro que crianças são educadas por mulheres, homens, e – também - pela coletividade.
Não precisa haver pai biológico presente ou visível; não precisa sequer o pai ser negligente; não é preciso sequer haver pai oficial presente.
Além da própria negligência ou da ausência masculinas imediatas serem um dado de relação/comunicação em si mesmas, a criança – ao chegar ao Mundo – ASPIRA NO AR o CALDO CULTURAL PATRIARCALISTA-PATRIMONIALISTA vigente.  Crianças são apenas pequenas; não são ‘burrinhas’, e MUITO MENOS insensíveis: percebem TUDO; APREENDEM o que percebem; quanto mais ‘verdinhas’são, mais abertos estão seus canais de percepção.
E vêem, claro, como são/estão os homens ao seu redor em sua maioria; para os meninos-homens um ‘modelo vigente’ se destaca; se destaca e vai se perpetuando dos que vão se tornando adultos para os que continuam a nascer.
Ao nascer, PERCEBEM que habitamos um Planeta que ainda transpira autoritárismo, misoginia, homofobia, fetichismo, reificação, desqualificação do valor do universo das interioridades, exclusão, e sua mais vergonhosa consequência: o Filicídio, fenômeno que designa o desprezo pela vida e pelo futuro das crianças já nascidas, e especialmente das que virão.

 

A Mulher e o LGBTT*, ao se organizar, se colocaram disponíveis a questionar o ‘Vilão-Caldo’. Como já diziam nossas tataravós, cuidar de si é a melhor ajuda que se se presta ao próximo...
Mas sem que os homens gerem o Homem, Homem que faça côro responsável a esse questionamento, tudo que poderia estar em transformação caminhará muito lentamente.

 

Mas está andando, sim, nas “ilhas” reflexivas que já ‘pipocam’ aqui e ali, tanto que é o que justifica estarmos aqui falando sobre isso; estarmos aqui é um modesto mas real exemplo.

 

A Mulher (e LGBTT*) já se responsabilizaram e se comprometeram o que basta para mostrar que essa responsabilização, que esses compromisso, é(são) plausível(eis), e que gera transformaçãos para a Sociedade como um todo.
Está na hora dos homens começarem a se responsabilizar pelo o que diz respeito a si mesmos. Não são incapazes, impotentes, e podem desenvolver sua autonomia reflexiva.

 

Inevitavelmente nessa altura da conversa sempre há quem pergunte como esse ‘não-existir’ se reflete na relação deste homem com a mulher’contemporânea.

 

Têm surgido propostas de novas conjugalidades; a ‘solteirice’ tem novos perfis; muitos países já adotam formalmente a nomenclatura ‘pluriamor’.
Mas talvez eu seja ‘meio ET’ para falar sobre isso, já que sinto que pareço ‘destoar’ do que anda se falando sobre o assunto por aí.
É que, quando olho ao redor, o que a maioria demonstra é querer ser amado, além de desejado.
Além disso, a fala contemporânea sobre sexo parece ter se tornado mais um arriscado  ingrediente INVASIVO como tantos dessa nossa pós-modernidade.
Infelizmente parece ter se tornado tão invasivo quanto o chamamento ao consumo, a convocação para comprar/comer/beber/ingerir medicamentos duvidosos, etc...
Sexo: Um ‘produto’ a mais, sob marketing invasivo...

 

Enquanto isso, nas escolas em que trabalhei até pouco tempo atras, muitos pais-homens repetiam o antiquíssimo ritual de levar seus filhos homens para prostitutas, para serem supostamente ‘iniciados’.
Mas jamais falam de apaixonamento (o que acontece DENTRO, nas INTERIORIDADES) com eles.
Enquanto isso, os meninos continuam, por exemplo, chamando as meninas de ‘piranhas’ porque beijaram mais de um na festa...
Enquanto isso as mães falam mal umas das outras meramente por conta de suas aparências e supostos comportamentos nas reuniões...
Isso em pleno século 21, pós-Feminismo, e pós- Tanta coisa!...

 

A aparente liberdade sexual não preencheu o vazio amoroso interior de ninguém.
Fala-se de sexo como se fala de receita de bolo; “faça isso”, “faça assim”, e “terá MAIS orgasmos”, como se o número deles indicasse qualificação real da vida amorosa.
Sintomaticamente as estatísticas confirmam que essa invasão é um tiro que – como todos do gênero – sai pela culatra: as concretude das estatísticas sinalizam uma insatisfação (dita) sexual generalizada; dita, porque o que a maioria quer, é ser desejado/amado.
E se for para falar diretamente de erotismo, estou com o G. Bataille: erotismo tem um componente de interdição; se nos limitamos a retirar a interdição, todo mundo (com licença para a “má” palavra), e não só os homens, ‘broxa’, como comprovam as pesquisas sobre sexualidade e suas estatísticas!
 Numa conversa informal que tive com uma produtora cultural, ela me informou que, em hebraico, há significativamente apenas um vocábulo para designar “Vontade” e “Sabor”... Desejo é um fenômeno hipercomplexo, que não tem como ser tratado como ingrediente mensurável de um bolo a vender-comprar-digerir...

 

O componente amoroso/afetivo não tem como VIRAR PRODUTO; por isso quase ninguém fala dele.
Há ao redor do sexo toda uma indústria montada, INCLUSIVE ao redor da FALA sobre ele. Falar sobre sexo ‘VENDE’; é só fazer a lista dos manuais sexuais, por exemplo. Há alguma coisa menos compatível com SINGULARIDADE e AUTONOMIA que “manuais”?...

 

Exterioridade sem Interioridade é coisa de obedientes robôs, e não de “gente”.
“Gente” é fenômeno para ser singular (logo, desobediente a regras e manuais).
Repito: não há “vilão” personalizado. O vilão é o ancestral Caldo Cultural Patriarcalista-Patrimonialista.

 

Vou pontuar apenas duas características disso que chamo “Caldo Cultural Patriarcalista-Patrimonialista”, que exibam “sintomas” do efeito dele, que podem aparecer em gente de quaisquer Gênero, e – no mínimo – limitá-los em seu trânsito na Vida:

 

- O aparente ‘elogio’ ao SILÊNCIO, que parece passar a valer mais que a FALA (quem
   nunca ouviu dizer  que “A palavra é prata e o silêncio é ouro, por exemplo?)
   Por que, se sabemos que a FALA é a EMISSÁRIA DO DIÁLOGO, das empáticas
   RELAÇÕES DIALÓGICAS?
- O aparente elogio à CIRCUNSPCÇÃO e a PERÍCIA  ESPECIALIZADA, que
   parecem passar a valer mais que a CRIATIVIDADE e o HUMOR.
   Por que, já que são apenas TALENTOS DIFERENCIADOS, que podem ser buscados
   em PESSOAS DIVERSAS, e SOMADOS PRODUTIVAMENTE em EQUIPES
   INTERDISCIPLINARES, para BENEFÍCIO DE TODOS?

 

Quando pontuo esse assunto, imediatamente a’guém me pergunta se não é muito solitário para nós, mulheres, essa “realidade masculina”. Costumo responder que depende do perfil da solitude idealizada, plausível ou suportável nesse momento.

 

Mulher (Ator Social) só existe porque mulheres – sem aguardar convocação ou decreto – se reuniram, dando (juntas) muitas ‘cotoveladas no mundo’ ao redor para conquistá-lo.
Lembro: como também aconteceu na emergência do Ator Social LGBTT*, não houve “convocação vertical” (“instituições” que fizessem a convocação delas ou deles para que se reunissem), e muito menos “decreto” (alguém ou algo que “desse a ordem” para que o fizessem).
Suas classificações não roubavam o desejo do encontro: se havia ali ‘ricos’ou ‘pobres’, ‘patrões’ ou ‘empregados’, ‘mestres’ ou ‘alunos’, etc., deixava de ter suposta importância em seus encontros. Esses “crachás” não as/os ‘separariam’. Suas origens psico-sociais/econômicas/culturais estavam em segundo lugar naquele momento.

 

Mulheres FALAM. Mulheres não temem tanto assim suas interioridades, e FALAM consigo mesmas o suficiente; daí FALAREM mais facilmente com o Outro (especialmente entre si); daí FALAREM sempre que podem com a Sociedade, com o Mundo.
Essa PLAUSIBILIDADE não foi e não é tão solitária assim, certo?...

 

O IMEDIATISMO NARCÍSICO não tem mais lugar.
Transformações de fato significativas NÃO SÃO PARA NÓS; resignêmo-nos.

 

O que podemos é não desistir de semear novidades ‘mais suculentas’ de novos rumos responsáveis plausíveis para nossos trinetos, nos orgulharmos do que é possivel fazer, e FAZÊ-LO.

 

Essa escolha independe de Gênero: estar (OU NÃO) disponível para viver o PLAUSÍVEL no presente, e para SEMEAR para o FUTURO.

 

Estar (OU NÃO) disponível para uma GENEROSIDADE PLAUSÍVEL no presente, tentando colaborar para botar o pé no freio do imediatismo - típico aliás - do Caldo Cultural Patriarcalista Patrimonialista, este único “vilão” reificante, fetichista, filicida, fundamentalista, privado e privador de geração de senso estético, privado e privador de exercício de Humor (logo do exercício de geração de senso crítico), excludente, per-vertido, letal.

 

CHRISTINA MONTENEGRO possui especialização em Sociologia Política e Cultura pela PUC RJ(2002), especialização em Psicologia Clínica e em Psicopedagogia concedidos pelos CFP E CRP 05, assim como seu título de Supervisora em Psicologia Clínica, graduação em Bacharelado em Artes Cênicas pela Universidade do Rio de Janeiro (1983), graduação em Bacharelado em Psicologia pela Universidade Santa Úrsula (1973) e graduação em Licenciatura em Psicologia pela Universidade Santa Úrsula (1972). Seu livro "HOMEM AINDA NÃO EXISTE - Compartilhando Reflexões para que ele exista", 2011 (Editoras Torre/Multifoco). Responsável por uma série de programas sob o mesmo título de seu livro, veiculada no Youtube. Coordenadora de Conteúdo da Campanha Homens Libertem-Se / Men Get Free desde 2014.
- http://lattes.cnpq.br/9740919353194479  
- https://www.facebook.com/psicoterapeutaautorahomemaindanaoexiste/   
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Foto de capa:

Jackson Pollock - Black poured over colour


Paginação:

Nuno Baptista


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