ANO 4 Edição 54 - MARÇO 2017 INÍCIO contactos

Henrique Prior


EDITORIAL: FORA DE CONTROLE

Se há algo que já sabíamos, há anos, mas que as últimas semanas vieram comprovar, é o facto de os ricos de Portugal estarem fora de controlo. A banca não a controla o supervisor. As fugas de capitais não as controlam o fisco nem o governo.

 

Também já sabíamos que, em Portugal, a culpa morre sempre solteira. Desde 2011 que todos os que estavam minimamente informados sobre a situação da banca em Portugal sabiam que o BES e o BANIF eram tecnicamente falidos. O Ministro das Finanças Vítor Gaspar atirou mesmo a farpa do descalabro do BES a Ricardo Salgado quando este opinou sobre o estado das finanças públicas.

 

Mas parece que o único a não saber de nada, mesmo depois de um aumento enorme dos seus poderes desde 2007, e de graves relatórios internos, era o Governador do Banco de Portugal. Tanto assim que, estando o BES falido, em Maio de 2014 exigiu um aumento de capital ao banco de Ricardo Salgado. E mais: acha-se um herói por ter dito a notórios corruptos e falsários que não tinham idoneidade para serem banqueiros e gerirem uma boa parte da riqueza do país.

 

É interessante  vermos, hoje, como aqueles que “crucificaram”, e com razão, Vítor Constâncio pela sua inoperância face ao caso BPN, mesmo quando os poderes dele eram os mesmos da rainha de Inglaterra, se afadigam agora a defender Carlos Costa ainda que os seus poderes de supervisão e controle sejam indubitavelmente muito superiores aos de Vitor Constâncio.

 

Esses são exatamente os mesmos que se apressam a defender Paulo Núncio por esconder as transferências de 8 mil milhões de euros do BES para paraísos fiscais quando o banco caminhava a passos largos para a medida resolução.

 

E tudo se torna muito mais risível quando esses mesmos que exigiram a demissão dum Secretário de Estado do governo PS por ter aceitado a oferta duns bilhetes para o europeu de futebol, afirmem agora que é muito natural que um Secretário de Estado ( Paulo Núncio) que criou 120 empresas off-shore na Madeira e para elas trabalhou não tenha publicado os benefícios fiscais dessas off-shore para que trabalhou quando a tal estava obrigado.

 

Com gente assim, é garantido que os  muitos mil milhões que estiveram fora de controle nestes últimos anos continuem fora de controle se essa gente voltar ao poder.

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Revista InComunidade, Edição de MARÇO de 2017


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Jackson Pollock - Black poured over colour


Paginação:

Nuno Baptista


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