ANO 3 Edição 32 - MARÇO 2015 INÍCIO contactos

Henrique Prior


EDITORIAL - MERCENÁRIOS

Afirmava Aristóteles que a virtude é incompatível com uma vida “mecânica e mercenária”.

 

De um modo geral, a vida desta gente que ocupa o poder em Portugal é uma vida mecânica e mercenária. E o primeiro-ministro Passos Coelho é o primeiro exemplo dessa vida mecânica e mercenária. Militando na juventude partidária do PSD desde os 14 anos, percorrendo de modo mecânico e mercenário os escalões do partido até se guindar a seu líder, com umas ocupações na actividade empresarial (?) pelo meio que são um outro modo de exercício dessa vida mecânica e mercenária, Passos Coelho tem exercido o seu cargo como mercenário dos grandes negociantes, com os quais irá continuar a vida de mercenário, devidamente recompensado pela sua traição aos direitos do povo que governou.

 

Mas não é só pelo PSD que abunda a vida mecânica e mercenária. No PS, o percurso político de um grande número de dirigentes locais, regionais e nacionais é um percurso mecânico e mercenário para obtenção de algumas benesses que o poder lhes dá.

 

Sob um outro prisma, valendo-se da pretensa superioridade moral dos comunistas, a actividade politica dentro do Partido Comunista Português é também uma carreira, com uma notória componente mecânica e mercenária, em que a luta política pela ascensão nos lugares dentro do partido se faz não com fundamentos egoístas, mas sim altruístas, ou seja, a dedicação à causa da revolução proletária.

 

Curiosamente, o resultado é muito semelhante no que toca à defesa do indefensável: ambos o defendem com argumentos aparentemente razoáveis.

 

Passos Coelho, o seu governo e o seu partido, secundados por Cavaco Silva, defendem que esta destruição da classe média e da condução ao sofrimento de milhares e milhares de portugueses têm uma justificação nos amanhãs capitalistas que hão-de cantar para os portugueses.

 

Por sua vez o PCP, que defende a legitimidade de governos de insanidade e de rapina como os da Coreia do Norte e de Angola com os amanhãs comunistas que hão-de cantar para todos os cidadãos do mundo.

 

Defendendo de modo semelhante comportamentos aparentemente contraditórios, ambos fazem jus ao ensinamento de Aristóteles: “O desvio inicial da verdade multiplica-se até ao infinito à medida que avança”.

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