ANO 3 Edição 31 - FEVEREIRO 2015 INÍCIO contactos

Cláudio Parreira


CONTOS

ENCANTAMENTO

 

Pecado. Essa gente que não tem mais o que fazer.

 

Não vejo. Porque sou dono do meu nariz desde pequeno. Que me importa se é isso ou aquilo? Vale é o que vai por dentro, o calor.

 

Muitos problemas, desde o começo. Lá bem antes, quando eu ainda usava calção na escola, botinha ortopédica. A botinha, por exemplo, foi presente do prefeito, que minha mãe mal ganhava pra comer. De botinha e calção, portanto, foi que eu me encantei pela primeira vez. Encantei, sim, porque gosto da palavra. E a cadeira era todo o meu encantamento. Não sentava em outra, e na escola armava barraco por causa dela. Tapa na orelha dos outros meninos. Tapa na minha orelha também, eles eram muitos e eu um só. Até que um dia, depois de muitos tapas, levaram a cadeira embora. A primeira dor.

 

Aí que eu fui-me sentido meio lobisomem. A mãe tinha paciência, mas não sabia tratar do assunto. Não via os meus olhos. Pra ela era o preto no branco, o certo das coisas. Eu desviava. Era desgosto pra ela.

 

Cresci assim, no desvio. Não esse de gostar de menino, gostar de homem. Mas de mulher também não. Eu era de um vazio maior do mundo.

 

Conheci o inferno quando me nasceram os pelos e a voz engrossou. Eu não queria ninguém, mas o meu corpo pedia coisas. Daí que a cadeira voltou, mas voltou diferente. O que era encantamento no começo virou putaria, a cadeira no centro das minhas punhetagens.

 

Foi então que eu aprendi o silêncio. Não tinha como dizer da cadeira, não tinha como. Os segredos.

 

Um dia, cansado de calar, botei nome na cadeira: Marília. E falei pra todo mundo da minha Marília, o que a gente fazia no escondido da noite. Acreditaram no começo, mas depois me cobraram a menina:

 

— Traz ela pra gente ver!

 

Voltei pro silêncio, os segredos. A ignorância desse povo é do tamanho de um bonde.

 

Então fiz de tudo pra fugir de mim: desviei pras outras coisas, os armários, a cama, um pinico velho. Mas não era a mesma coisa, não era Marília, não era a cadeira. A paixão é uma marca, dói mesmo depois da ferida fechada.

 

Me botei homem com a cadeira na cabeça. E a boca fechada. Porque se é ruim prum menino, prum homem é desavergonhamento. Onde é que já se viu?

 

Isso foi me comendo, esse silêncio, esse sentir não fazer parte do resto. Porque lá no fundo eu queria, sim, ser igual. Ou pelo menos livre pros meus desejos. Mas não, o meu querer era uma gaiola.

 

— A tua tristeza é de dar dó. Por que você não vai na igreja? Os santos ajudam a carregar o fardo.

 

Isso eu ouvi lá pelos 40 anos. E fui na igreja, o alívio poderia estar lá.

 

Aqueles bancos todos não me chamaram a atenção. Mas no altar eu vi uma cadeira — e o coração reagiu. Aí eu vi os olhos dos santos todos em cima de mim, um medo. Quis fugir, mas meus olhos voltaram pra cadeira, uma última espiada, eu pensei, e foi aí que eu vi sobre a cadeira a santa.

 

O encantamento que eu sentia lá atrás quando era menino voltou. E não era mais pela cadeira, era pelo que estava em cima da cadeira, a santa.

 

No meio daquele povo todo eu me aproximei e beijei a santa. Novamente os tapas na cabeça, os homens todos gritando comigo, mas novamente também o calor, como antes.

 

Hoje fecho os olhos de noite e não vejo mais a cadeira. A santa me ocupa todos os dedos da mão. Essa gente que não tem mais o que fazer diz que é pecado. Eu sei que é milagre.

 

A FILA

 

O método era simples: o oficial do exército chamava o primeiro da fila, jogava-lhe nos braços um uniforme qualquer e ordenava que o vestisse. Caso o uniforme não coubesse perfeitamente no corpo do homem escolhido, este era considerado inútil e condenado ao fuzilamento. O oficial então chamava o segundo e tudo se repetia. Ao fim de cada dia eram poucos os homens considerados aptos para lutar na grande guerra que se aproximava.

 

Certa manhã o oficial estava muito desanimado com a quantidade de homens escolhidos e finalmente notou que eu o observava de longe. Perguntou-me aos gritos se eu desejava entrar na fila. Balancei negativamente a cabeça e dei as costas ao oficial, que ficou ainda mais desanimado. Não era meu objetivo ser considerado inútil nem tampouco apto para o serviço militar, mesmo porque isso seria a mesma coisa.

 

A RELATIVIDADE DAS LÁGRIMAS

 

Ela já desperta com o rosto banhado em lágrimas. Desolada, a família lamenta:
— Ó, minha filha — diz a mãe.
— Ó, minha filha — diz o pai.
— Ó, minha irmã — dizem os irmãos.
Os tios, avós, et cetera também se desesperam com o desespero da menina, também se lamentam:
— Ó, minha menina — dizem.

 

A menina, no entanto, pouco se ocupa dos lamentos da família. Tem seus próprios interesses — e por isso chora. Antes de mais nada, agrada-lhe profundamente o sabor das lágrimas, o tempero balanceado do sal que lhe escorre pelo rosto. Ela é, sem que ninguém suspeite, uma artista, uma alminha dotada de extremo senso poético. Que coisa mais linda amanhecer e anoitecer aos prantos!, pensa ela, que alegria inigualável é chorar! A sua família, contudo, pouco vai além das aparências: quem chora sofre, pensam, categóricos, os pais irmãos et cetera. À noite, no escondido dos seus lençóis, choram de verdade, preocupados, enquanto a menina descansa tranquilamente para mais um dia de lágrimas.

 

CARNEIROS

 

Sempre gostei de carneiros. Minha infância foi repleta deles: carneiros brancos, pretos, verdes; carneiros altos, sorridentes, inquietos, carneiros quadrados. À mesa também estiveram muitos carneiros, que mamãe preparava com um exagero de vinho e pimenta e hortelã.
Hoje, no entanto, não vejo mais carneiros por aí. Uma tristeza. As pessoas, aliás, nem sabem o que é isso. Algumas consideram já ter visto algo parecido na TV; outras, em fotos amareladas. As crianças que eu conheço acham que os carneiros são apenas seres imaginários criados pela internet.
Foi por causa disso que resolvi fotografar carneiros. Trazê-los de volta à luz, resgatá-los do esquecimento. Provar ao mundo que eles ainda existem.
Tenho 7 câmeras que registram tudo o que passa na rua, 24 horas por dia, todos os dias. Meu esforço, no entanto, tem resultado inútil: acumulo já há meses fotos e mais fotos de caminhões, dinossauros, tigres de bengala e fusquinhas, hidras, minotauros, senhores de chapéu coco, medusas, anjos e demônios, a putaquiuspariu. Carneiros, nenhum.

 

DE VOLTA PRA CASA

 

O pau tava comendo em Marte: greve nos serviços essenciais, corrupção, falta de energia, violência extremada, o diabo.

 

E ele era um típico cidadão marciano: trabalhador, honesto, pai de 123 marcianinhos, e pagava com muito suor a 236ª prestação da nave 7.0.3 turbo galaxy.

 

Mas um dia ele percebeu: não aguentava mais segurar a onda. O Planeta Vermelho já não lhe dava as mínimas condições de manter o padrão de vida de suas 18 marcianas. Precisava fazer algo. E urgente.

 

— O que é que vocês acham, minhas negas?

 

Ludicréia Mendes, a mais sensata de suas 18 esposas, aconselhou:

 

— Nego, acho que você deve ir pra Terra.

 

Dois dias depois lá estava ele no ponto de ônibus espacial. Na mala, 8 sanduíches de mortadela e 20 guaranás. No peito, a esperança de encontrar um mundo melhor.

 

Quando finalmente chegou ao seu destino, ele caiu bem no meio de uma passeata dos servidores da Receita Federal. Ao tentar fugir, foi assaltado: levaram toda a sua comida. Na delegacia, que procurou para fazer o B.O., foi ofendido pelo delegado, que disse "não atender sujeitos de pele verde".

 

Depois de passar a noite debaixo de uma ponte, ele comprou um jornal com os últimos trocados que lhe sobraram. Boquiaberto, leu as manchetes: "SUPERÁVIT CRESCE 27%", "LUCRO DOS BANCOS É 70% MAIOR", et cetera, et cetera.

 

— Tio, deixa eu comer esse jornal? — pediu um menino.

 

Neste exato momento o marciano pensou com o seu quarto cérebro, que é o mais racional: "Putaquipariu! Vou cair fora daqui!".
Ele voltou a pé. Ao pisar em solo marciano, 435 anos-luz depois, ele respirou aliviado. A bagunça no planeta era grande, mas não se comparava àquela outra.

 

Ludicréia Mendes abriu 6 dos seus 8 braços e abraçou calorosamente o marido. E perguntou:

 

— E aí, mano? Como é a Terra?

 

O marciano assobiou uma canção de Tom Jobim e respondeu, sereno:
— A Terra é boa, mas é uma merda. Aqui é uma merda, mas é bom.

 

DEFEITO CONGÊNITO

 

Um presidente com bom senso — caso raro na história universal — foi colocado à frente de um país caótico.

 

Suas primeiras determinações: restabelecer o sistema de saúde, recuperar o prestígio do sistema educacional e resolver todos os problemas habitacionais.

 

Por causa de um defeito congênito no sistema de comunicações, os ministros responsáveis pelas áreas acima entenderam tudo ao contrário e, no curto espaço de uma semana, puseram abaixo todos os hospitais, todas as escolas e todas as casas do país.

 

Desolado em seu gabinete, o presidente emitiu a sua opinião:

 

— Uma pena, senhores, uma pena.

 

Mas como um país não se dá por vencido com tão pouco, o presidente voltou à carga e convocou todo o ministério para uma nova reunião, na qual ficaram decididos um aumento nas exportações, uma consequente alta na balança comercial e ainda uma solução rápida e eficaz no combate ao desemprego.

 

Por causa de um defeito congênito no sistema auditivo, mais uma vez os ministros meteram os pés pelas mãos e resolveram tudo à sua maneira: triplicaram o volume de importações e, por causa disso, houve a consequente baixa baixíssima na balança comercial.

 

O problema do desemprego, contudo, foi resolvido de maneira mais sutil: numa simples sessão de execução pública todos os desempregados se viram livres para sempre de toda e qualquer dívida terrena, devendo prestar contas somente no momento do encontro com o Senhor.

 

Mais uma vez pressionado pelos acontecimentos, o presidente voltou a se manifestar:

 

— Uma pena, senhores, uma pena.

 

Cabisbaixo, macambúzio, sorumbático, o presidente enfim tomou a decisão que deveria ter tomado antes mesmo do momento da posse: consultou um pai-de-santo. Este enviado dos deuses, homem lúcido e idôneo, aconselhou o presidente a mudar a sua forma de governo.

 

— Já que os ministros entendem tudo pelo avesso do avesso do avesso — falou o pai-de-santo —, por que Vossa Excelência não lhes pede o absurdo do absurdo do absurdo? Quem sabe assim...

 

Sem perda de tempo, o presidente convocou uma reunião extraordinária. Entre outras coisas, determinou que os ministros escangalhassem com tudo, arrebentassem com tudo, mandassem tudo à merda.

 

Por causa de um defeito congênito sabe-se lá aonde, pela primeira vez na história os ministros acataram as determinações do presidente. Uma pena, senhores, uma pena.

 

INTERPRETAÇÕES DO ORÁCULO

 

Às vésperas de uma grande batalha, um comandante de cem mil homens resolveu consultar um oráculo. Nunca antes o fizera em sua vida, e mal sabia o que o levava a fazê-lo. Na verdade, considerava que homens que se orientavam através de oráculos ou outro tipo de adivinhação não passavam de seres fracos e despreparados para a luta. Consultaria o oráculo, pensava ele, apenas para matar o tempo.

 

Pensando desta maneira, o comandante, incrédulo, colocou-se à frente do oráculo. Mesmo antes que fizesse a pergunta, recebeu a resposta, clara e inquestionável: grande triunfo na batalha, exército inimigo dizimado, comandante coberto de homenagens.

 

Indignado, o comandante deu as costas ao oráculo e foi juntar-se aos seus homens. Não compreendia como era possível receber uma resposta sem nem ao menos ter feito a pergunta. Isso, pensava, era a prova evidente de que tudo não passava de um embuste. No dia da batalha, porém, tudo correu conforme a previsão, e o comandante, mesmo atribuindo a vitória ao seu poder de estratégia, convenceu-se da eficácia das consultas ao oráculo.

 

***

 

Anos mais tarde, outra vez em conflito com um país inimigo, o comandante tornou a visitar o oráculo.  Expôs a sua preocupação com a superioridade numérica do outro exército e perguntou se seria novamente bem sucedido. O oráculo não se pronunciou de imediato, e o comandante, apressado e ansioso, não esperou pela resposta e partiu, interpretando o enigmático silêncio como um bom sinal.

 

Às suas costas, atrasado, o oráculo enfim respondeu: catástrofe iminente, exército inimigo mais preparado, comandante abandonado em vala comum.

 

LIMÃO

 

Anos & anos escrevi limão. E o limão era tal qual a palavra que o descrevia: limão.

 

Mas Eles, é claro, acharam por bem suspender o meu limão. Não sei — acho que nunca vou saber — os critérios. Aliás, isso nunca me foi dado a saber.

 

Acontece que o meu limão virou casa, conforme Eles mandaram.
Não discuti; não vale a pena.
Com o passar do tempo, a minha casa ganhou novas letras e virou poste.

 

Torci o nariz, mas de nada adiantou.

 

Quando finalmente me adaptei à altura do poste, à textura do poste, ao poste do poste, Eles vieram e mudaram tudo: jaca.
Faz tempo que escrevo jaca — não é seguro desafiar a autoridade dEles.

 

Mas por mais que eles mudem a grafia, limão continua sendo limão. Seja ele casa, poste ou jaca.

 

NA RUA

 

Nós nos conhecemos no dia da sua morte. Foi curioso: eu passava na rua; na mesma rua ele havia acabado de morrer. Eu disse oi, ele falou oi. Para encurtar a conversa, cheguei a ser grosseiro: “Não adianta você ficar aí falando comigo porque eu não acredito em mortos falantes!”. Ele gargalhou. E disse: “Pois agora que estou aqui deste lado, começo a duvidar — a vida existe mesmo ou não passa de puro sonho?”.

 

Faz três anos que conversamos. Eu continuo não acreditando. Ele duvida mais e mais a cada dia. Concordamos apenas num ponto: todas as respostas são insuficientes.

 

O JARDIM DE ESPERANÇAS 

 

Um homem cultivava Esperanças em seu jardim. Dedicava a elas a maior parte do seu tempo e essa era sua maneira de ser feliz. As Esperanças, em retribuição ao carinho recebido, cresciam fortes e sorridentes, alegrando a vida do jardim e da vizinhança.

 

Houve uma noite, porém, em que uma grande tempestade desabou sobre a cidade. Casas foram alagadas, edifícios ruíram — e o jardim de Esperanças foi completamente dizimado, para desespero de seu dono. Tristonho, o homem passou a ocupar seus dias entre lamentos e reclamações, até que um estranho parou diante do seu portão e perguntou:

 

— Por que o senhor não planta Esperanças de novo?

 

— Não sei mais onde encontrar as sementes — respondeu o homem — e porque as Esperanças são difíceis de cultivar.

 

— Por que não tenta então com as Alegrias? Elas também são um pouquinho difíceis, mas as sementes estão por aí em toda parte. Basta saber o momento certo para colhê-las.

 

O homem ouviu o conselho do estranho e no mesmo instante passou a procurar sementes de Alegrias pela cidade. E em seu jardim, sem que ele se desse conta, as Esperanças voltavam a florescer.

 

 

Claudio Parreira é escritor. Foi colaborador da Revista Bundas, do jornal O Pasquim 21, Caros Amigos on line, Agência Carta Maior, entre outras publicações. Teve contos incluídos nas coletâneas CONTOS DE ALGIBEIRA, FIAT VOLUNTAS TUA, DIMENSÕES.BR, PORTAL 2001, A FANTÁSTICA LITERATURA QUEER, FRAGMENTOS DO INFERNO e também LINHAGEM MONTESSALES – RETRATOS DA INQUISIÇÃO. 
Recebeu Menção de Honra para o conto O Jardim de Esperanças (Der Garten Der Hoffnungen,31), da Revista de Assuntos Latino-Americanos XICOATL, Áustria, em 1996. Foi ainda o ganhador do 1º Concurso de Contos da Revista piauí, em março de 2007 e, no ano seguinte, integrante do folhetim despropositado A Velha Debaixo da Cama, da mesma revista.
É autor, pela Editora Draco, do romance GABRIEL e também da coletânea de contos DELIRIUM, pela Editora Penalux.
email: blogppc.claudio@gmail.com  
twitter: @ClaudioParreira
facebook: https://www.facebook.com/claudio.parreira.7

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Paginação:

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