ANO 3 Edição 22 - ABRIL 2014 INÍCIO contactos

Floriano Martins


DOCUMENTO CRUZEIRO SEIXAS NO BRASIL

Em 2005 publiquei no Brasil, através da coleção "Ponte Velha" da Escrituras Editora, em São Paulo, um volume dedicado à poesia e à obra plástica de Cruzeiro Seixas (1920), intitulado Homenagem à realidade. Quase 15 anos depois, creio por bem reproduzir aqui o prólogo que escrevi para aquela edição, assim como um fragmento de minha correspondência com o poeta até então. Cruzeiro Seixas há muito me honra com a confiança de uma correspondência crítica, apaixonada e reveladora. Mantenho-a comigo arquivada, até que seja o momento ideal de sua publicação. Os fragmentos aqui inseridos dão notícias apenas de nossas conversas em torno da publicação de sua obra no Brasil. Acrescento ainda a este documento preparado para os leitores de InComunidade uma brevíssima mostra de sua extensa obra plástica. Cruzeiro Seixas, certamente os portugueses já de muito assim o reconhecem, é um dos nomes mais valiosos e renovadores do Surrealismo em nosso tempo. Abraxas

 

1. A porta do mistério, por Floriano Martins

 

Em uma carta enviada a Cruzeiro Seixas, em 1966, lhe escreveu dizendo Laurens Vancrevel que “cada um dos teus poemas é uma mandrágora, cada palavra é uma esfinge”. E entrelaça-se nesta observação o mítico com certa condição afrodisíaca da poética de Cruzeiro Seixas, no que ela tem de intensa capacidade de lidar com as forças mais íntimas, revelando-lhe sua vitalidade original. Mescla, portanto, enigma e erotismo, signos que lhe definem tanto poética quanto plasticamente, uma vez que o amálgama é tão vigoroso que, a exemplo do que se passa também com o chileno Ludwig Zeller, por momentos se confunde qual mundo nos habita, se o poema ou o desenho, a collage, a pintura.

 

 

Este momento de perplexidade alude a um sentido de eternidade que sugere ser nossa única maneira real de estar no mundo. Através dele, Cruzeiro Seixas desperta-nos para o convívio com o maravilhoso que constitui a existência humana. E o faz por estalos cortantes da metamorfose que aplica às suas imagens, que não são propriamente deformações ou distorções, mas antes uma ousada oferta ou vislumbre de formas dentro de formas, dança de interioridades que se revelam transfigurando memória e hábitos conceituais. E estão ali, no acertado entendimento de Ernesto Sampaio, “como metáforas dos seus sonhos, obsessões, cóleras, temores e desejos, espécie de espelho mágico, alternadamente fasto e nefasto, que desfigura e transfigura as imagens”.

 

A obra de Cruzeiro Seixas (Portugal, 1920) está ligada intrinsecamente ao Surrealismo, a esta “vida de imaginação”, a este “certo poder de repulsa e de obstinação” a que se reporta Mario Cesariny em seu Final de um manifesto, de 1949. Não cabe aqui historiar as convulsões intermináveis e valiosas do surrealismo português, mas apenas destacar a presença constante de Cruzeiro Seixas em seus desdobramentos mais viscerais, mesmo tendo em conta a larga ausência, de 1952 a 1964, que equivale aos anos vividos na África, precisamente em Angola.

 

A este respeito, não se pode deixar de mencionar um entendimento das viagens como pontos de fuga, ou seja, a idéia de que alguns surrealistas portugueses teriam buscado no exterior um refúgio para si, confirmando certa impossibilidade do Surrealismo se dar em Portugal. Qual realidade é propícia à arte? E com quantos recursos conta um artista para acentuar este abismo entre arte e realidade? A geografia da fuga está situada além, ulteriormente. As viagens de Cruzeiro Seixas para a África, de António Maria Lisboa para a França, de Fernando Lemos para o Brasil, por exemplo, não implicam necessariamente em fugas, exceto no sentido de denúncia de uma sociedade insustentável. Trata-se mais de uma subversão do que propriamente de subterfúgio.

 

Cruzeiro Seixas tem sido sempre, isto sim, um grande viajante dentro de si mesmo, com percepções singulares em torno do Surrealismo e das oscilações de humor da sociedade portuguesa. Ao final desta antologia, encontraremos alguns aspectos pontuais em termos de sua atuação no Surrealismo, bem como seu admirável sentido de humor e compromisso diante do que faz refletido nas cartas a mim dirigidas e que acompanharam o processo de configuração deste volume. Mas essencialmente o que teremos são seus poemas e desenhos.

 

Estando diante dos poemas e pensando em termos de tradição lírica brasileira, que sempre repudiou o Surrealismo em quaisquer instâncias, requer lembrar que somos visitados por um tipo de poesia que, a exemplo de René Char, considera-se “um entendimento com o inesperado”. É todo um mundo de descobrimento se contrapondo ao vício da invenção de nossa lírica. Caberia aqui lembrar Malcolm de Chazal, ao dizer que “não faço literatura: o que faço é contar a vida”. Este mergulho em um abismo onde se pretende descobrir a idade do homem, sua confissão vivente, é o que mais vem à tona na leitura de Cruzeiro Seixas. Sua viagem requer o risco da descoberta e não da anulação. Não se frustrará, portanto, com o que lhe revelem tempo e espaço.

 

Trata-se de uma poética de provocação de si mesma, de desafiar-se ao chafurdar no lodaçal da própria existência, desafiar-se a mostrar onde se ocultam o mistério e o erotismo que anunciam as imagens que saltam magicamente de seus versos, por exemplo. Como ele mesmo diz, sua aflição nada “tem a ver com a lógica exigida pelo poema”. Daí que subverta por completo qualquer leitura tópica que acaso se busque em sua poesia. A dicção de Cruzeiro Seixas possui tal singularidade que beira o excêntrico em termos de lírica portuguesa. Mas é fato que sua obra plástica ofertou-se melhor a público do que sua poesia, sendo inúmeras as exposições de que participou - individuais e coletivas -, bem como as primorosas edições de catálogos, o que lhe deu imenso reconhecimento nesta área, superior à obra poética, promovida esparsamente ao longo dos anos, embora felizmente agora em plena recuperação com a publicação da poesia completa, que conta até o momento com três largos volumes.

 

Este grande poeta do maravilhoso que soube tocar provocativamente os abismos mais suspeitos e desejáveis de nossa existência, é um possuidor possuído de tal riqueza de imagens que apenas nos convida a nos entregarmos a elas, que esqueçamos tudo, toda a demarcação de costumes, e percebamos por fim a magia que podemos sacar de nós mesmos, esta realidade nua que enganosamente vemos demasiado vestida, e que se mostra em seu traje de ação na poética de Cruzeiro Seixas, instância em que mistério e erotismo se apresentam invariavelmente conjugados e em cujo mergulho na mergulho na solidão é de ordem ascética.

 

Tem sido um homem intrinsecamente apaixonado pelo Surrealismo, por todos aqueles aspectos essenciais do Surrealismo que lhe iluminam a vida e permitem que respire livremente seu espírito, compreensão de uma revolta inerente e sedução de um mundo que se liberte de amarras de toda ordem. Jamais escreveu um único verso em outra direção. Trata-se de uma dessas figuras míticas, um tipo de mago pertinaz. Uma imagem que naturalmente rejeita, por mais que entenda seu alcance.

 

E agora entrá-lo no Brasil, onde um Murilo Mendes, por raro exemplo, não é exposto senão como modismo ou capricho, é risco da mesma ordem de quando se publicou aqui René Char - na belíssima tradução de Contador Borges -, o de passar de todo despercebido pela crítica. Mas qual risco não impera em uma sociedade como a nossa, onde se programa até o último suspiro e tudo em nome de uma contingência carnavalesca onde nada se controla? A idéia que se tinha de fuga em Portugal cai por terra pensando no desastre cultural brasileiro evidenciado por todos nós. Tal circunstância, no entanto, não impede o surgimento de grandes expressões artísticas, de uma margem ou outra do Atlântico. Cruzeiro Seixas é das máximas expressões poéticas de Portugal chegadas até nós.

Floriano Martins
Fortaleza, março de 2005.
 


 

 
2. Cartas de Cruzeiro Seixas a Floriano Martins

 

Caro poeta Floriano Martins

 

A comunicação com o Surrealismo do Brasil infelizmente só me foi possível quando, em 1967, Sérgio Lima organizou a exposição “A Phala”. Mais tarde visitou-me Sara Ávila. Há muitos anos dirigia eu a Galeria S. Mamede e digiri-me à Embaixada do Brasil no intuito de conseguir uma exposição de Maria Martins, a quem tão calorosamente se referiu Breton. Recebi 2 cartas entusiastas da Senhora Embaixatriz, a que se seguiu o mais absoluto silêncio. Para além destes contatos apenas posso referir a minha costela brasileira, pois minha avó materna era natural do Pará. Assim agradeço o teu contato, e a citação de minha autoria no pórtico do teu livro. Tudo muito tocante, como é de esperar de coisas que têm como raiz profunda a Poesia. Junto te envio o 2° volume da minha poesia que acaba de sair. Para meu espanto, dizem-me a Isabel Meyrelles e o editor que ainda há material para mais 3 volumes!

 

Quanto ao questionário respondo por certo de forma excessiva, mas não sei fazer de outra forma, e não é agora com a D. Morte sentada à minha porta que me vou modificar.

 

Dizem-me que há gente nova muito interessada no Surrealismo. Não podia deixar de ser, mas se não me procuram eu também não posso fazer mais do que os pressentir apaixonadamente. Nunca fui muito convivente, e nunca me sobejou TEMPO para o convívio de cafés, bares etc. etc. Tenho a certeza de que haverá surrealismo amanhã. Relato-te uma espécie de anedota acontecida há algumas semanas numa das livrarias de Lisboa. O proprietário informava-me de que há muita gente nova procurando livros sobre o Surrealismo. Respondo-lhe que a mim raramente me procuram, e ele contrapõe que, na verdade, não procuram referências ao Cesariny ou a mim, mas sim ao Surrealismo…

 

Os melhores votos e o abraço surrealista do

 

Artur

[25-X-2003]

 

Caro Floriano

 

Respondo tão rapidamente quanto possível à tua carta, pois na minha idade já nada deve ser adiado.

 

Agradeço que tenhas reduzido as tuas propostas a uma antologia da minha poesia com o prefácio de tua autoria. Sobre a minha poesia é pouco ou é quase nada o que se tem escrito. Há por exemplo referências em cartas do Herberto Hélder, mas ainda nenhum escritor ou ensaísta referiu os 2 volumes já editados pelo Valter Hugo Mãe. Parece que para que nos refiram aqui e agora é necessário entrar em circuitos de elogio mútuo, para o que não me sinto vocacionado. E além disto há os disparates sem pés nem cabeça, como a estranha colagem do Rui Mário Gonçalves ao Fernando Azevedo ao José-Augusto França ao António Pedro. Que falta faz um Almada Negreiros, que diga que esses são os Dantas de hoje! Pode-se classificar como ortodoxia o que se passa com o Cesariny que sem critério aparente aparece e desaparece à boca de cena? Sobre mim escreveu ele em 1963: “Pede-me Cruzeiro Seixas um texto que circule na exposição, a terceira que vai fazer em África. Que dizer-lhe ou dizer se não que ele é o Poeta, aquele que entre nós melhor do que nós se conduziu ao combate, ao único combate verdadeiro, o que luta sem fim pela inteligência do homem; e de todos nós ele é quem mais encontrou o segredo de partir sempre, arriscar tudo sempre, exigir sempre a forma mais pura, a libertação mais dura da própria imaginação.” Ortodoxo não sou eu ou não o quereria ser, mas muito me assusta que se volte ao surrealismo como se fosse coisa morta, ou apenas coisa histórica. E mais ainda assustador, se possível, que nele se procurem chorudos lucros financeiros! Disso sempre fugi com a minha pintura. Fiquei fixado num tempo em que tudo era diferente. Mas o Brasil é uma grande tentação, e a ela confessadamente me entrego.

 

Lembro a existência de um Di Cavalcanti na expo de Famalicão; foi-me dado pela Sara Afonso, que foi mulher do Almada. O desenho tinha-lhe sido oferecido pelo próprio Di Cavalcanti. Infelizmente é a única representação do Brasil; ninguém me sabe dar notícia da Maria Martins, a quem Breton se refere calorosamente.

 

Quanto a esta minha coleção (ex-coleção), ela será dificilmente compreendida para além desta sufocante fronteira, mas a verdade é que aqui é ÚNICA, tendo sido feita por paixão, não por dinheiro, que foi coisa que nunca tive. Em Portugal muito raramente fazem coleções, e quando isso acontece, quando do falecimento do colecionador a família apressa-se a dispersar tudo. Desde há alguns anos as pessoas chamam coleção a 20 ou 50 obras que decoram as suas casas, e de que esperam um feliz empate de capital…

 

Sugeri à Fundação de Famalicão que a expo seja tornada itinerante, pois não me parece suficiente um ou dois visitantes por dia; dizem-me que sim, mas só acreditarei quando, segundo prometem, a expo aparecer aqui em janeiro, na Sociedade Nacional de Belas Artes.

 

Aqui tens mais uma carta, certamente excessiva.

 

Os melhores votos e o abraço do

 

Cruzeiro Seixas

 

P.S.: Muito agradeço o Rascunho, que parece respirar satisfatoriamente.

 

[s/d., dezembro de 2003]

 

Caro Floriano

 

Junto o catálogo da exposição da minha coleção, que te dará uma idéia do trabalho que representou a seleção das obras, e tudo o mais necessário a esta realização. Por isso só hoje respondo a tua carta de 17 de março, do que me desculpo. Além de tudo o mais não é fácil estar a viver agora numa casa com as paredes nuas. Mas esta exposição tinha que se fazer, pelo menos para provar que não é necessário ser milionário para fazer uma coleção. Foi apenas por paixão que fiz tudo o que fiz, tudo o que fiz na vida - em paixão fui de fato milionário!

 

Creio que a Rosa Alice Branco fez o favor de estar presente nesta exposição, mas no meio de tanta gente e de uma certa desorganização portuguesa, era muito grande o meu cansaço e confusão.

 

Desculpa-me se o teu excesso de projetos me assusta. Sempre preferi “engatar” a ser “engatado”. E julgo que devo o nome que tenho principalmente à minha solidão; nunca fiz parte de tertúlias, a não ser na ingenuidade dos vinte anos. Aprendi muito - aprendi o que não queria aprender, e já não há nada a fazer deste frágil bloco de cimento armado que sou. Contra mim mesmo, a minha denúncia e protesto.

 

Daqui a alguns meses, ou daqui a um ano ou dois (na pior das hipóteses) já cá não estarei, e então TUDO será possível. Desculpa-me se te peço para reduzir para metade a tua tão generosa oferta. Creio que no meu caso já está suficientemente provado que não se trata de ortodoxia. A palavra que me corresponde possivelmente não está no dicionário; desenhei e pintei e escrevi, sem me considerar pintor ou escritor. Principalmente se trata de algo como uma necessidade fisiológica, à falta de algo mais expressivo contra o dia a dia que temos, e refiro-me a coisas velhas como a guerra da Etiópia, a guerra de Espanha, a esperança na derrota no nazismo/fascismo, a permanente crise, sempre com milhões de vítimas… Vivo mergulhado no absurdo, e parece-me agora tão absurda a atenção que me dão, como a que não me dão.

 

Será isto uma carta? As minhas desculpas e o forte abraço do

 

Cruzeiro Seixas

 

[18 Maio 2004]

 

Caro Floriano

 

Festejo a tua atividade e paixão, pois muito me choca o desapaixonamento cada vez mais e mais acentuado dos portugueses. “Aterrorizado e tremente”, como dizia William Blake, dou todo o meu acordo à tua imaginação. Tal projeto, há um ano me pareceria completamente impossível. Ou será que coisas destas acontecem quando se está já à beira da cova funda?

 

Há mil títulos possíveis e esse de Homenagem à Realidade tem o meu acordo. “Uma ferida que dança” é um texto do Edouard Jaguer que é um velho amigo, e figura histórica entre os surrealistas como entre os “Cobra”. Nos meus papéis reina o mais ativo dos furacões e por isso nada foi fácil. A cronologia atualizada por certo é excessiva; reduzi tanto quanto posso e sei, mas evidentemente que tens toda a liberdade de reduzir ainda mais. Também para qualquer outro seria relativamente fácil tudo isto, mas para mim nada é fácil. Junto o 1° volume da Poesia e aproveito para telefonar ao Hugo Mãe a reclamar a saída do 3° volume. Também junto diversas fotografias. Ofereço-te estes livros e catálogos, e se não envio mais é porque estão esgotados ou a caminho disso. Isto que me propões parece mais um álbum do que um simples livro! A tiragem é que parece pequena para um país tão grande. Também envio o catálogo de uma exposição em que, além do belo texto do Ernesto Sampaio encontrarás alguns dos meus Desaforismos - e muitos outros existem à espera de sair da incômoda gaveta onde amarelecem.

 

Quanto à parte burocrática, isso é chinês para mim, mas toda a documentação que me foi enviada foi reenviada devidamente assinada.

 

Na verdade, saí-me bem dos livros já publicados pela “Soctip” em 1989, pela Fundação de Famalicão em 2000, e Viagem sem Regresso, edição “Tiragem Limitada” e Local onde o mar naufragou, editado pela Galeria S. Bento em 2001.

 

Essa questão de Artur do Cruzeiro Seixas ou somente Cruzeiro Seixas é-me quase indiferente; foi a Isabel Meyrelles e o editor que resolveram como entenderam. Para as exposições é desde sempre usado o Cruzeiro Seixas, mas diz-me tu como te parece mais acessível ao público brasileiro que desconheço.

 

A minha escrita é datada de Áfricas (a África continente negro e o continente negro que sou), em sentida homenagem aos anos que ali vivi. Mas as datas que figuram não correspondem nunca a qualquer exatidão, tendo a intenção de confundir biógrafos e exegetas, e aos seus processos acadêmicos.

 

E quanto à pintura, nunca tive método. Quando começo a desenhar ou a pintar muito raramente tenho uma idéia nítida. Esqueço ensinamentos e teorias, não penso em coisas como desenho ou pintura, mas sim no amor, na morte, nas pessoas que conheço e principalmente nas que desconheço. O que desejaria presente era um reflexo do mundo através de mim, era dar uma idéia do homem e da sociedade que criou - e que o sufoca.

 

Tenho feito ausências de Lisboa levado por amigos ao norte para ser operado às cataratas; isso tem recomplicado a tão frágil organização dos meus dias. Até agora não sinto quaisquer melhoras, e é triste reconhecer que estou a perder a independência que tanto prezo.

 

Perturbador foi também um telefonema do Cesariny, a pretexto de me felicitar calorosamente pela poesia editada, isto depois de uns 30 anos de distanciamento quase total. Creio que a verdadeira razão deste telefonema é o peso dos 80 anos, que precisam ser compartilhados. Nunca será demais constatar que do surrealismo em português a D. Morte se empenhou em arrebatar vinte e tal, por certo alguns dos melhores, como o António Maria Lisboa, o Mario Henrique Leiria, o Júlio, o D’Assumpção, o Areal, o António Dacosta, o António Quadros, o João Rodrigues, o Mario Botas, o Jorge Vieira, o O’Neill etc. etc.etc.

 

Os melhores votos e o abraço grato do

 

Artur

 

[17 outubro 2004]

 

__________
Floriano Martins (Brasil, 1957). Poeta, ensaísta, tradutor, editor e artista plástico. Criou e dirige a Agulha Revista de Cultura (www.revista.agulha.nom.br), bem como o selo editorial ARC Edições. É colaborador de InComunidade desde seu número inaugural, agora também integrando seu conselho editorial. Contato: arcflorianomartins@gmail.com.

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