ANO 3 Edição 19 - JANEIRO 2014 INÍCIO contactos

Floriano Martins


LUDWIG ZELLER PARA INCOMUNIDADE


A poesia do chileno Ludwig Zeller (1927) possui uma íntima relação com o abismo, em um sentido quase carnal, nele considerando a criação como uma exploração incansável da vastidão e profundidade da existência. Sua poética é uma espécie de arqueologia dos mundos abissais. Poeta e artista plástico, os dois personagens se confundem, tamanha a intensidade da alquimia que vem até hoje realizando com essas fontes expressivas, movido por uma singular força erótica, as inesgotáveis anotações de sonhos e uma imaginação prodigiosa. A paixão pelo Surrealismo o levou a uma condição de destaque, como editor, curador, diretor de revistas, promotor cultural e excepcional criador. A natureza sensivelmente associativa, sempre favoreceu afetiva cumplicidade de muitos envolvidos na realização de edições e exposições.

 

Sua vida está marcada por três residências produtivas: desde a criação da Casa de la Luna, em Santiago (Chile,19), até a direção da revista Vaso Comunicante, em Oaxaca (México,19), passando pelo período em Ontario (Canadá,19), quando esteve à frente da Oasis Publications. Nos três países se destacou por extensa atividade criativa e promocional. Criador de um estilo inconfundível na colagem, realizou até o momento mais de 40 exposições individuais em países como Chile, Argentina, Canadá, Estados Unidos, França, Alemanha, Espanha, Islândia, Bélgica, Venezuela e México. Ao lado de sua esposa, Susana Wald, tem produzido livros e exposições, valioso trabalho a quatro mãos mesclando colagem e pintura.

 

Na poesia cumpre destacar títulos como Cuando el animal de fondo sube, la cabeza estalla (1976,19), Salvar la poesía, quemar las naves (1988,19), Aserrar la amada cuando es necesario (1994,19), Los engranajes del encantamiento (1996,19), El embrujo de México (2003,19), Piel de los delirios (2008,19), Infinito presente (2010,19), sem falar em publicações singulares como Ludwig Zeller, a Celebration (1987) – edição do poema “O faisão Branco” em 50 idiomas; o belíssimo catálogo da exposição Zeller sueño libre (1991,19); e o romance Río Loa, estación de los sueños (1994) – escrito com base em sistemática anotação de sonhos. Sua múltipla e incansável atividade tem resultado em marcante influência na compreensão e desdobramento do Surrealismo em vários países, o que lhe destaca como um dos poetas e artistas mais importantes em nosso tempo.

 

Na segunda metade dos anos 1980 comecei a me corresponder com Ludwig. Guardo comigo suas cartas. Desde cedo ele me apaixonou porque não se tratava apenas de um poeta e sim de uma comunidade poética, uma orquestra sinfônica ou uma grande banda de jazz. Ludwig "Big Band" Zeller. Logo invadiu a minha caixa postal com livros, revistas, projetos, me apresentou sua família, amigos, abriu a mesa para uma generosidade incomum entre os poetas. Brasil, Canadá, México, Portugal, foram uns sítios imediatos onde surgiram textos meus sobre Zeller, entrevista e traduções de poemas seus. Devo a ele uma palavra de fogo, um carinho inesgotável, por sua amizade.

 

Recordo um dia em que recebi um telefonema em minha casa, de alguém se dizendo Rolando Toro. Ora, o nome eu identifiquei de imediato, pela ampla circulação internacional da Biodança, porém o que faria com que Rolando estivesse me ligando? Antes de vir ao Brasil estivera no Canadá, com seu querido amigo Ludwig Zeller que, sabendo que viria justamente a Fortaleza, lhe disse conhecer um poeta brasileiro a quem gostaria que ele contatasse. Aquela noite mesclou cerveja e amizade em uma pizzaria em Fortaleza. Rolando e eu nos tornamos bons conhecidos graças ao coração imenso de Ludwig. Este encontro proliferou em outros, Rolando veio à minha casa algumas vezes, escreveu sobre minha poesia, me pediu para traduzir a sua.

 

Em 2004 finalmente conheci pessoalmente Ludwig Zeller. Eu fui ao México como convidado da tradicional Feira do Zócalo, ocasião em que havia preparado uma edição especial da revista Alforja dedicada à poesia brasileira. Tenho bem firme na íris da memória o instante em que o casal (Zeller, Wald) surgiu diante de mim, a força do abraço que nos acolheu. Eu sabia que a vinda de carro de Oaxaca - onde então eles residiam - até a capital mexicana exigia uma saúde que só a grande amizade suporta. Foi uma das maiores emoções de minha vida. Repetimos a força mágica deste momento quando fiz de carro o caminho inverso, da capital mexicana a Oaxaca, em 2011, quando então me hospedaram em sua casa. Encontrar-me com Ludwig uma vez mais traduzia a confirmação de uma amizade além do tempo. Desta vez, no entanto, havia um motivo específico para minha viagem a Oaxaca, fotografar o atelier de Susana Wald e conversar com ela, em função de um livro que eu estava escrevendo sobre sua pintura.Foram dias de um garimpo feliz. As refeições nos brindavam com uma entranhável conversa, a meu lado a editora e amiga Maria Luisa Passarge, que me propiciou este retorno ao casal.

 

Gosto dessas recordações - jamais havia escrito a seu respeito - porque elas possuem sempre um caráter coletivo, de comunhão de algo mais forte do que o temperamento circunstancial do umbigo. Logo conheci a filha de Susana, Beatriz Hausner, que me apresentou ao surrealismo no Canadá. Com Beatriz estive, pela primeira vez, após uma extensa correspondência, na Nicarágua, em 2012, eu a convidei para irmos juntos à embaixada do Brasil, onde me receberam para falar de poesia brasileira. Claro, falamos de algo que transcende os mapas. Falamos da amizade. A poesia dá à geografia uma outra configuração.

 

De volta a Ludwig Zeller - de onde nunca saímos, claro - temos aqui, para o leitor de InComunidade, uma soma de aspectos todos a que venho me referindo: uma entrevista dupla, realizada em dois momentos distintos, onde abordamos aspectos viscerais realtivos ao surrealismo; uma seleção de poemas e outra de collages; e fotos de nossos encontros. Devo confessar que graças à sugestão de Jorge Vicente me veio a ideia dessa memória de minha amizade com Ludwig. O meu coração me diz que a presença em minha vida dos amigos de InComunidade me apontam um momento tão rico quanto aquele em que nos conhecemos, Ludwig e eu, sempre regidos pelo acaso objetivo. Abraxas

 

LUDWIG ZELLER & SUSANA WALD| EL SURREALISMO EN LA MESA

 

FM He observado en algunas oportunidades cierto prejuicio en la lectura del libro Surrealismo en América Latina de Stefan Baciu. En la Antología de poesía surrealista latinoamericana se puede verificar cierta contradicción en cómo se entiende si los poetas poseían o no vínculos directos con el Surrealismo. Ejemplo de esto es la inclusión de Antonio Porchia al mismo tiempo que se deja fuera a Juan Sánchez Peláez o a Ludwig Zeller. Es igualmente indefinible la inclusión, en el caso chileno, de Huidobro como precursor, al mismo tiempo que se desconoce la presencia dentro del Surrealismo de la obra de Rosamel del Valle, situándolo simplemente como francotirador (“nunca formó parte del grupo, o de una corriente o una generación”). ¿De qué manera acompañaron ustedes el proceso de preparación de la antología?

 

LZ Ante todo fuimos nosotros quienes publicamos por primera vez en castellano, en la revista Casa de la Luna de Santiago, en 1970, un artículo de Baciu sobre Surrealismo en América latina, traducido por Susana Wald.

 

El problema de Baciu es que era temperamental y le molestaba mucho que uno no contestaba las cartas mientras él podía hacer una o dos al día. Creo que es la única razón por la que no me incluye en la primera antología, porque él conocía perfectamente las cosas que estábamos haciendo en Casa de la Luna y conocía la relación que teníamos con los integrantes de Mandrágora, y sabía que nosotros hicimos la gran exposición de “Surrealismo en Chile” en 1970. Yo mismo le he dado datos en varias cintas magnetofónicas que le he enviado a Hawaii, ya que él no había estado nunca en Chile.

 

Creo además que la misma gente de Mandrágora (ver el Nº7 hecho por Enrique Gómez-Correa) decían que el único que merecía estar incluido en el Surrealismo dentro Chile era Rosamel del Valle, de quien reproduce un corto fragmento poético.

 

Yo creo en cambio que Rosamel del Valle ha hecho una gran obra creativa muy cercana a los planteamientos del Surrealismo. Por lo demás, Rosamel del Valle y Braulio Arenas se recordaban de cuando habían revisado periódicamente material de la Librería Francesa tratando de ubicar textos de los surrealistas.
Cuando uno ve en conjunto la obra poética de Rosamel, que es enorme, a pesar de los reveses de la vida que le han tocado, no puede sino tener una visión más amplia. Su obra tiene la importancia comparable a la de Huidobro, u otros poetas importantes, y está libre de todo bagaje de propaganda política o fanatismo.

 

Sólo hace dos años se pudieron finalmente publicar en dos volúmenes sus poemas completos. Falta hacer aún una edición de sus novelas, sus artículos y sus ensayos.

 

SW Yo vengo a entrar en el Surrealismo por la puerta que Ludwig Zeller me abre al movimiento y a las ideas de éste. No conocía el Surrealismo sino muy superficialmente en mi experiencia anterior. Había visto imágenes, había visto en Buenos Aires exposiciones que se relacionaban con el Surrealismo, pero no tenía conocimiento de los postulados del movimiento. Es decir, no conocía la fuente, sino sólo sus efectos. Entre los años 1965 y 1970, entre los libros de la magnífica biblioteca de Ludwig Zeller que se trasladó a mi propia casa, pude leer y gozar mucha información y mucha literatura, la casi totalidad de ella de impulso surrealista. En mi propia obra yo diría que soy una surrealista “natural”, porque me nace, no de la ideología misma, sino de un flujo libre y personal. La libertad, el amor y la poesía me ha tocado vivirlas. Cuando traduje el texto de Baciu para nuestra revista, sus postulados me parecían correctos y obvios. Considero también que Baciu tenía un interés más bien académico en el Surrealismo; nunca me pareció que fuera surrealista él mismo, nunca me pareció que él se comprometiera por ese tipo de causa. Eso sí, Baciu fue anticomunista, sin ser reaccionario y para él el surrealismo puede haber sido una alternativa valiosa para contrapesar la piedra de molino que representaba en el mundo intelectual el compromiso con el Partido.
Al igual que Ludwig, pienso que Baciu ha omitido su poesía de la primera versión de su antología por irritación, y porque no le llegaban las cartas o las respuestas que esperaba. Baciu vivía en cómodas condiciones en Hawaii; nosotros en Chile, no. En cambio donde nosotros vivíamos la correspondencia se posponía muchas veces porque había otras urgencias que satisfacer, como tener para comer o tener techo, o la misma ineludible urgencia de crear.

 

FM El término “para-Surrealismo” que emplea Baciu, además de estar equivocado en su raíz, me parece que ha hecho que muchos simpatizantes se sintiesen parte de algo que no tenían el coraje de abrazar en su totalidad. A partir de eso proliferan para-surrealistas en varios puntos de Hispanoamérica. ¿Qué piensan al respecto?

 

LZ El término “para-Surrealismo” me parece absurdo, ya que se participa en el Surrealismo o no. El Surrealismo está vivo en Latinoamérica tanto en la plástica como en la literatura, tan vivo como hace cincuenta años.

 

SW Eso del “para-Surrealismo” es parte de un afán cartesiano de clasificación para poder examinar las cosas, que es propio de los académicos. Hay que encontrar las casillas apropiadas para ubicar las cosas, si no, no se las puede entender. Ello es también muy propio de un pensamiento decimonónico que está cayendo poco a poco en desuso, por fortuna. Con las teorías del caos creo que se va a poder entender mejor el Surrealismo.

 

Y es también probable y perfectamente legítimo que Baciu haya querido ampliar el espectro de lo que se puede llamar Surrealismo y que quisiera salirse de los parámetros dogmáticos, al mismo tiempo que encontró una palabra desafortunada para ello.

 

FM En lo que respecta al Surrealismo, las relaciones entre Chile y Venezuela, poseen algunas particularidades curiosas. Juan Sánchez Peláez, en un tiempo participa en innumerables reuniones en torno del Grupo Mandrágora, durante el tiempo en que residió en Santiago. A su retorno a Caracas se involucró, junto con Vicente Gerbasi en acciones que se podría considerar vinculadas al Surrealismo (edición de revistas, traducciones, etc.,19), y a pesar de ello, posteriormente se creó una barrera en torno a la discusión de esto. Lo mismo sucedió con Juan Liscano, que niega la posibilidad de que Cármenes, uno de sus mejores libros, tenga influencia directa del Surrealismo. Además vale recordar aquí que un primer vínculo de Gonzalo Rojas con Mandrágora es también de poca importancia, según él mismo. Y no nos olvidemos de las relaciones entre Gerbasi y Díaz-Casanueva en el grupo Viernes. ¿Será que todo esto señala un rechazo natural a los “ismos”, o tendría una particularidad distinta?

 

LZ Lo que yo sé es que Juan Sánchez Peláez figura en una de las fotos de inauguraciones de surrealistas cuando estudiaba en Santiago, y naturalmente tenía una apertura hacia estas posibilidades.
En cuanto a Gonzalo Rojas, estuvo vinculado al grupo Mandrágora en el primer tiempo, pero él mismo ha expresado que se desvinculó del movimiento y ha tenido una actividad en contra de ellos, siguiendo una posición política.
Chile es un país pequeño. Cuando estuvo Gerbasi participó con toda la gente y era naturalmente muy cercano a Díaz Casanueva y a Rosamel del Valle.

 

SW Hay algunos asuntos aquí que tienen que ver con la política literaria, mezclada con la política misma como tal. Creo que en este sentido Gonzalo Rojas es político, y Díaz Casanueva o Gerbasi -teniendo sus puntos de vistas en la política-, en lo literario se han mantenido más cerca de una motivación interior y no la de la búsqueda del poder, cosa natural y finalidad principal de la política.

 

FM Ya me dijiste, Susana, que “durante mucho tiempo el Partido Comunista fue tan poderoso y tan intransigente que era heroico hacer lo que hacíamos”. En Boa # 2 (junio de 1958) Julio Llinás ya observaba que “mudar la vida es una fórmula, probablemente, la más válida que haya anotado concretamente la poesía en su trayecto hasta el presente, pero también es el peligroso juego de arbitrariedad humana, en su defensa inagotable de ese triste mendrugo que es su propia miseria”. ¿Cómo se mostraba ese “juego de arbitrariedad humana” cuando la salida de ustedes de Chile? ¿Y cuáles son los prejuicios que proceden de ello?

 

LZ Yo no he pertenecido nunca al Partido Comunista y sin embargo en la Casa de la Luna, el café que teníamos, los archivos fueron violados por la policía de Chile, por la gente de la Embajada de Estados Unidos y por gente del propio Partido Comunista, al punto que no querían cruzarse con uno en la calle.
El espectro político ha cambiado, aparentemente. Si bien ahora los antes comunistas dicen tener una nueva visión, siguen igualmente atornillados en los medios de comunicación en Chile, y favorecen sólo a aquellos que les son incondicionales. Esto lo hemos podido comprobar personalmente en nuestra reciente visita al país.
Para muestra, un botón: el Premio Nacional de Literatura de este año se le ha dado a Volodia Teitelboim.

 

SW Ludwig muchas veces cuenta que, en su juventud, en Chile se podía pertenecer al Partido Comunista, y entonces participar en los encuentros de Juventudes y de Paz en distintos puntos del planeta -envueltos en la influencia de Moscú o de Pekín-, o se podía ser beato y entonces estar respaldado por la Iglesia Católica y ser enviado a la España de Franco o a Roma. Si no pertenecías a un movimiento u otro y querías tener una posición independiente y además de izquierda, recibías palos de los comunistas y también de los católicos. Podemos, si tú quieres, llamar a esos palos “juegos de arbitrariedad humana”. Y quizás se pueda apodar igual gestos como aquél en que, a dos años de nuestra estadía en Canadá, me mandaron -anónimamente, desde la Sociedad de Escritores- un telegrama con un pésame por la muerte de Ludwig. Creo que yo llamaría ese tipo de gesto una canallada.

 

No cabe duda de que la actitud de los comunistas hacia nosotros ha afirmado en mí un fuerte prejuicio. No querían vernos vivos. Además de desprestigiarnos nos quitaron todos los medios de subsistencia que teníamos. Creo que de haber podido matarnos más allá de lo metafórico, lo habrían hecho. Y, antes que ellos, nos habrían asesinado los militares quienes mataron a colaboradores nuestros en los primeros días del golpe.

 

FM La abierta disputa entre Neruda, De Rokha y Huidobro, ¿de qué manera influyó en el comportamiento de las generaciones posteriores? Uno de los nombres centrales del modernismo brasileño, Mário de Andrade, observó que “los modernos del Brasil, en su infinita mayoría, hicimos lo imposible para tener un espíritu de grupo o ideal común”. Podríamos elaborar aquí hasta qué punto existiría esa comprensión de un ideal común en Mandrágora y Angurrientos.

 

LZ Mandrágora está hecha con una concepción más universal, más educada. Angurrientos tiene un ánimo más folclórico en Chile, como lo dice su propio nombre.
Otra cosa: Estaban tan disgustados Neruda, De Rokha y Huidobro, que si uno se acercaba a uno de ellos, no tenía chance de ver a otra gente, sin ser fuertemente criticado.
Esta disputa ha divido mucho la gente. Huidobro es de quien se hace primero una Fundación en Chile. Neruda está muy protegido por el Partido Comunista, es candidato de ese partido para la presidencia de la república. Ha tenido cinco casas en Chile que ahora son museos, y está también la Fundación Neruda: es tanta la influencia que ha quedado de él. De De Rokha incluso no hay una buena edición anotada de su obra, aunque él se suicida en el año 68.

 

SW En mi experiencia son pocos los que en Chile, o Venezuela, o México forman grupos. Son más la excepción que la regla. Que Mandrágora haya podido funcionar ha sido un logro extraordinario. Lo mismo se puede decir de El techo de la ballena o de los surrealistas argentinos, entre los que conozco a algunos. Pero entre las mismas personas que forman grupos se producen disputas. Hace poco visité a Julio Llinás, en Buenos Aires, y él insistía en que no se consideraba surrealista. Braulio Arenas decía lo mismo.

 

En la Casa de la Luna, el café y la revista, se juntaba gente alrededor de nosotros, y ahora también hay jóvenes que se interesan en trabajar con Ludwig y conmigo, principalmente porque comparten nuestros ideales y el hecho que nunca los hemos traicionado.

 

FM Gonzalo Rojas recuerda en una conferencia las disensiones entre Pablo de Rokha y Pablo Neruda, y no deja de destacar que de Rokha “desaforado y todo, e informe, fue entre nosotros el primer demoledor del posmodernismo y el progenitor de esa ruralidad y esa elementalidad trascendida, con cierto enfoque primordial y cosmogónico, desde sus versos iconoclastas de 1915”. ¿Cómo ante la grandeza renovadora de la obra de De Rokha, los méritos internacionales acaban recayendo todos sobre Neruda?

 

LZ De Rokha ha hecho una gran obra, muy vinculada al espíritu de los chilenos, al mismo tiempo que tenía un modo muy poco diplomático y solía pelearse con la mayor parte de la gente.

 

SW La frase de Rojas me hace pensar en que hay quien pone la carreta delante de los caballos y no como corresponde. El posmodernismo no puede haber preocupado a Pablo de Rokha, en su tiempo no había surgido el concepto. Y creo que De Rokha sí fue desaforado, pero no informe; fue desaforado como son todos los que se manejan dentro del romanticismo y sus consecuencias, entre los que se encuentra el mismo Surrealismo.
Existe una triste tendencia en los seres de buscar lo seguro. Cuando alguien ha recibido un premio, con seguridad recibirá otros, porque los que darán los premios segundo, tercero, etc., apostarán a lo seguro, al hecho que existe ya un precedente premiado. Son pocas las excepciones a esto. Y a ello se agrega que el Partido Comunista y todo su mecanismo publicitario inmenso favorecían a Neruda a exclusión de toda otra persona. Y Neruda no se opuso a esto.

 

FM Recordando las palabras de Gómez-Correa: “las descripciones que incorpora el realismo mágico son totalmente surrealistas, porque aquí en América es cuestión de mirar no más el paisaje. Está lleno de cosas locas, abunda el Surrealismo por todos lados. Volcanes, ventisqueros, selva, desierto… ¿Cómo te imaginas tú que tengamos la cordillera a cien kilómetros del mar?! ¡Chile es Surrealismo por todos lados!” Jamás concordé con tal afirmación, considerándola más bien una broma, tal vez, algo perteneciente al folclore o al ámbito turístico. Francia no es surrealista. Breton sí. O sea, es una condición que el individuo lleva en sí, que no puede ser sino señal expresa de valor individual. ¿Concuerdan conmigo?

 

LZ Yo creo que la obra de arte está hecha por seres humanos y no por ventisqueros o volcanes, aunque éstos nos pueden mover a nosotros. Es sin embargo Gómez-Correa quien se ha mantenido siempre fiel a la idea del Surrealismo.

 

SW El mismo Breton, cuando viene a México, encuentra que este ambiente es, por naturaleza, surreal. Creo que esto tiene que ver con “lo desaforado” que comentamos arriba, y creo que a ello se refiere también Gómez-Correa.

 

FM Hans Arp -que escribió un libro con Huidobro- me parece haber sido la primera voz insurrecta contra ese preconcepto del Surrealismo en relación al abstraccionismo. La búsqueda exacerbada de un contenido equivale a la preocupación aislada de la forma. Cabría volver a ver la obra de artistas como Jackson Pollock, Antonio Bandeira o Francis Bacon. Evaluar mejor las relaciones entre el abstraccionismo y el figurativismo, por ejemplo. Creo que Río Loa, estación de los sueños (1994,19), es una bella síntesis de esto. No hay ahí un “acto de evasión en provecho de valores imaginarios”, como temía Magritte con respecto al abstraccionismo en la pintura.

 

LZ Son los seres humanos los que hacen el arte. Uno ha nacido en ese desierto, pero el resto de la gente que ha vivido lo mismo es posible que hagan una cosa enteramente contraria.

 

SW Nosotros hemos participado durante años en el movimiento Phases cuyo postulado es que el Surrealismo no necesariamente es figurativo, y que hay abstraccionismo surreal. En ello el líder de Phases, Edouard Jaguer, difiere de Breton, y yo estoy con él. En todo caso, cualquier dogmatismo, venga de Breton o de quien sea, me parece aberrante.

 

FM La residencia en Oaxaca, después de tantos años en Toronto, ¿qué nuevas posibilidades aporta? ¿Y cómo ha sido el trabajo editorial junto a la revista Vaso Comunicante?

 

LZ Yo siento que hay en Oaxaca una presencia enorme de lo precolombino, muy importante, ya que la gente con los que me toca tratar son mixtecos y zapotecos que hace cuatro mil años levantaron las primeras ciudades mesoamericanas. En ese aspecto, culturalmente, Oaxaca es riquísima en comparación a Toronto, aunque también es cierto que en Toronto es donde te ayudan a realizar una serie de obras, ediciones, etc.; en cambio en Oaxaca existe una atmósfera intelectual muy provinciana. Vaso Comunicante influye en modificar esta atmósfera.

 

SW Creo que el Surrealismo es una condición interior (en eso estoy de acuerdo contigo,19), y adónde vayas lo llevas como todo el resto de tu psique. El trabajo de Ludwig y el mío propio han sido del modo que fueron no porque estuviéramos en una ciudad como Toronto, sino a pesar de ello. Y lo mismo sucede con respecto a Oaxaca. En Toronto gozamos de apoyo material y aquí gozamos del apoyo social y humano y del hecho de que lo que hacemos parece aquí más “natural”, menos agresivo. La novedad aquí en Oaxaca es precisamente que la resistencia a lo que hacemos es menor. También vale la pena mencionar que Oaxaca es un entorno muy permeado de lo oral y de lo visual. La gente lee poco, pero ve mucho las imágenes. Para quien hace collage, como Ludwig, o pinta, como yo, esto abre una rendija por la que, con alguna suerte, podrá colarse nuestra obra artística.

 

[2002]

 

SELECCIÓN DE POEMAS DE LUDWIG ZELLER

 

LA ABANDONADA A LOS ESPEJOS

 

Veinte años he buscado los bruñidos
cristales, los puros que vibraron
al rumor de las alas que acaricia el silencio,
los labios que entreabriéronse al lenguaje imposible
de la Divina Imagen.

 

Y ella dóblase mustia, pobre brizna de polvo
que cae sin piedad en dormidos estambres.
Pájaro-ayer, codiciada serpiente, abrid,
cortad los hilos que atravieso temblando,
pupilas que florecen en impenetrables signos.

 

¿Qué máscara he de usar? ¿Qué hilos surcan la sien
del dormido que grita? Cuervo que se desprende hacia el abismo,
graznido que ilumina las ventanas de la cárcel de sombras,
¡oh desgarrada piel, el Laberinto! – Allí, temblando, sola,
yace la abandonada a los espejos.

 

¿Descifraré tu sed? ¿El sueño se hará olvido?
No mováis más los filos con que choca en la sombra,
buscad, buscad de nuevo en la estancia sedienta.

 

[Las marionetas, 1957]

 

UN VIAJE INEVITABLE

 

Los relojes golpearon los carbones la noche
Cierra a enhebrar sus hilos a esconderse en los huecos,
Jadeando sorbo a sorbo siento acercarse pasos
Mientras crece la córnea de pelos en su mano.

 

No hay salida, no entiendo, nos arrastran las aguas
Partimos, con un garfio nos tiran desde el vientre,
Arañamos, golpeando contra el muro nos clavan animales
Ventrílocuos, escuchemos la huincha ya sin voz va cantando.

 

Dan un número, apaga su desnudez el monstruo, no tenemos
Cigarros, guardo sólo en mi bolso comisuras marchitas,
No hay regreso, en el fondo del vaso se repiten los gritos.

 

[Las reglas del juego, 1968]

 

A ABANDONADA AOS ESPELHOS

 

Por vinte anos busquei os polidos
cristais, os puros que vibraram
ao rumor das asas que o silêncio acaricia,
os lábios que se entreabriram à linguagem impossível
da Divina Imagem.
E ela se dobra murcha, pobre fibra de poeira
que cai sem piedade em adormecidos estames.
Pássaro-ontem, cobiçada serpente, abram,
cortem os fios que atravesso tremendo,
pupilas que florescem para impenetráveis signos.
Que máscara devo usar? Que fios sulcam a têmpora
do adormecido que grita? Corvo que se desprende até o abismo,
grasnido que ilumina as janelas do cárcere de sombras,
oh! destroçada pele, o Labirinto! – Ali, tremendo, sozinha,
jaz a abandonada aos espelhos.
Decifrarei tua sede? O sonho será ouvido?
Não movam mais os fios com que se choca na sombra,
Procurem, uma vez mais procurem na estância sedenta.

 

[Las marionetas, 1957]

 

UN VIAJE INEVITABLE

 

Los relojes golpearon los carbones la noche
Cierra a enhebrar sus hilos a esconderse en los huecos,
Jadeando sorbo a sorbo siento acercarse pasos
Mientras crece la córnea de pelos en su mano.
No hay salida, no entiendo, nos arrastran las aguas
Partimos, con un garfio nos tiran desde el vientre,
Arañamos, golpeando contra el muro nos clavan animales
Ventrílocuos, escuchemos la huincha ya sin voz va cantando.
Dan un número, apaga su desnudez el monstruo, no tenemos
Cigarros, guardo sólo en mi bolso comisuras marchitas,
No hay regreso, en el fondo del vaso se repiten los gritos.

 

[Las reglas del juego, 1968]

 

IMÁGENES AL SOL

 

Del centro misterioso de la espira que mueve el horizonte,
desgránanse los seres cual semillas, sumidos
en el sueño, cerrados tras la piel de sus mareas.

 

El impulso nos mueve – planeta de armonía –
donde fluye y refluye el equilibrio, latidos
de relojes invisibles, imágenes al sol.
Bajan los garfios, suben las espinas,
¿qué separa a los hombres perdidos en el propio laberinto?
Delira el separado de su fuente, mientras el satisfecho
está impasible, lamido por la vida, encadenado
al ser vertiginoso, ídolo celebrante en su engranaje.

 

Bajamos a la entraña del aliento; la llama contra el mono,
la cobra contra el Fénix, bandadas que pasaron mellándose
en los filos de la noche. ¿Dónde está la respuesta? ¿Dónde
si el misterioso mueve un enjambre de élitros al fondo?

 

Ahora y en miríadas, sobre nuestras cabezas
rómpese el eslabón, giran los párpados, el cielo
sin la red se abre a los fuertes y el portador de paz,
liberado en el tiempo otea el límite:
en la arena
la semilla sagrada canta al sol.

 

[Del mantantial, 1962]

 

PAISAJE PARA CIEGOS

 

Ya no me acuerdo cuando me aparté de esas llagas.
Voy gritando a oscuras, con la cabeza escarbo
En el muro los años multiplican su enjambre,
No sé si estoy despierto me dan leche o vinagre.

 

Abro en uñas mis yemas, pero ellas se prolongan
Más allá donde laten sus voces crepitando,
Volverá con las lluvias me he comido la lengua
Los globos dados vuelta ajustaban las cuentas.

 

Dónde estamos a tientas buscamos un camino
Bajo el sol los muñones inscripciones con ira,
De hielos encendidos nos llevamos nos metimos carbones
En los ojos – dulcemente se lamen las miradas.

 

¿Qué ves tú? Yo te veo boquear como pez en otro aire.
¿Qué ves tú? Sólo un yermo de espejos y el cuchillo.
¿Qué ves tú? Mi raíz arrancada de las plumas tu entraña.
¿Qué ves tú? Yo no veo. Yo sólo te presiento.

 

[Las reglas del juego, 1968]

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