Ciência

Uma árvore já é um rizoma: Antropoceno, clima e vida multiespécie | Susana Oliveira Dias

 

UMA ÁRVORE JÁ É UM RIZOMA: ANTROPOCENO, CLIMA E VIDA MULTIESPÉCIE

 

Este texto nasce de uma inquietação que me acompanha: as árvores nunca inspiraram efetivamente a criação de uma imagem do pensamento1. Uma percepção que surge da leitura do capítulo dedicado à árvore e ao rizoma, dos filósofos Gilles Deleuze e Félix Guattari, ali na obra Mil Platôs (1995), em que os autores fazem uma defesa do rizoma e apresentam como os sistemas arborecentes, sejam na filosofia, na linguística, na biologia e em outras áreas, se tornaram sinônimo de hierarquias, homogeneizações, dicotomias, unificações e dominações. 

 

Mas os próprios autores advertem: “… é uma questão de saber se a botânica, em sua especificidade, não seria inteiramente rizomórfica” (1995, p. 15). E é essa busca que movimenta esta escrita: um esforço inicial de dar a ver, escutar e sentir que as árvores já são inteiramente rizomórficas. Um desejo de honrar as árvores, celebrar e defender seus modos de existir, espalhar possibilidades de afetar e contagiar as pessoas nesse sentido. Esse é o convite aqui. E digo que este é um esforço inicial, não apenas porque este texto é um breve exercício, mas porque a busca por intensificar a existências das árvores e, também, a busca por instaurar outras existências para o pensamento apoiada por estes seres fabulosos, precisa ser de muitos, com muitos. Conecto-me, assim, ao que propõe o filósofo Étienne Souriau, que pensa que só existimos fazendo existir outras existências pois, ao fazer existir, fazemos existir novas dimensões de nós mesmos (Lapoujade, 2017).

 

Sinto que é fundamental, nestes tempos em que os cientistas não têm mais dúvidas de que as mudanças climáticas são provocadas pelas atividades humanas (IPCC, 2021), em que poluições de diferentes tipos, o desaparecimento de espécies, o fascismo, a misoginia, a xenofobia e o racismo se intensificam, nos dedicarmos a repensar o que pode ser fazer árvore do pensamento e na ação. Isso porque considero que as árvores são grandes aliadas diante do Antropoceno, pois sabem o que é estar efetivamente conectadas a esta terra/Terra. Antropoceno é um nome que diz como os humanos, em alianças nefastas com o capital, se transformaram em uma força geológica capaz de gerar transformações na Terra com consequências catastróficas. Embora o termo ainda não tenha sido aprovado pela sociedade estratigráfica internacional para designar a nossa era, já figura como um nome que faz pensar, sobretudo nisso que temos chamado de Humanidade. Para o sociólogo e antropólogo da ciência Bruno Latour, os Humanos são os que ainda vivem no Holoceno, um tempo de uma estabilidade climática que não existe mais, já os Terranos vivem em um planeta danificado, com poucos refúgios, sabem da iminência de uma catástrofe climática e trabalham por uma efetiva política da terra/Terra, por isso, vivem no Antropoceno: “O que pode ter sido bom para os Humanos, perdeu todo o sentido para os Terranos” (Latour, 2014, p.7).

Imagem do livro Floresta de luz: laboratório de botânica especulativa organizado por Susana Dias e Sebastian Wiedemann, com a participação da bióloga Alessandra Penha e da artista Marli Wunder, feito com participantes da disciplina “Arte, ciência e tecnologia” que ofereci no MDCC-Labjor-IEL-Unicamp em 2017. Disponível em: http://climacom.mudancasclimaticas.net.br/floresta-de-luz-laboratorio-de-botanica-especulativa/

 

Fazer árvore nos gestos e pensamentos é operar uma mudança radical, pois envolve sair de uma perspectiva humana demais que pesa sobre as árvores, e não só, que nos povoa e que diz de uma perda do cosmos, como já nomeava o poeta D. H. Lawrence. Para o poeta, “perdemos o cosmos” e “nenhum truque o trará de volta” (1990, p. 37). Perdemos o cosmos porque investimos em uma vida “mesquinha e pessoal”, porque “não suportamos estar ligados a nada. Esta é a nossa doença. Temos que romper e nos isolar. Dizemos que isto é ser livre, ser um indivíduo” (1990, p. 120). 

 

O reencontro com as árvores não pode ser um truque, tem que ser um movimento de habitar zonas de passagens, transições e contatos arriscadas e consequentes, capaz de nos tornar terranos. Precisamos perceber que a nossa existência, enquanto a existência de vida multiespécie, a existência de um nós complexo, constituído de entrelaçamentos vivos e afirmativos entre humanos e não humanos, depende de entrarmos em uma comunicação secreta com os mundos mais que humanos e invocar as forças perceptivas e as agências transmutadoras, que nos permitam, por meios de todos os tipos, darmos alma e vida às árvores. 

 

Para repensar o que pode se tornar um fazer árvore no pensamento e na ação precisamos adentrar a perspectiva das árvores e explodir com outrem (Deleuze, 2006). Romper com essa estrutura perceptiva de hábito que nos faz perceber um fazer árvore no pensamento e na ação desde dentro de uma ficção do poder, como significando algo triste, hierárquico, fixo, imutável, codificado, marcado por dualidades e oposições. Somente depois que Sexta-feira explodiu com outrem, com uma estrutura que alimentava a ecologia continental que Robinson havia criado para habitar e governar a ilha de Speranza, é que ele pode perceber Sexta-feira não mais como um escravo. É o momento em que Robinson pode, também, abrir-se a uma percepção das árvores inteiramente nova:

 

“A árvore era um grande navio ancorado no húmus e lutava, desfraldadas todas as velas, para abrir caminho. Envolveu-lhe o rosto uma quente carícia. Suas pálpebras tornaram-se incandescentes. Compreendeu que o sol nascera, mas retardou um pouco mais o momento de abrir os olhos. Estava atento ao crescimento de uma alegria nova dentro dele. Cobria-o uma vaga calorosa. Após a fraqueza da aurora, a luz fulva fecundava soberanamente todas as coisas. Entreabriu os olhos. Por entre os cílios, resplandeceram punhados de palhetas luminosas. Uma brisa fez estremecer a folhagem. A folha, pulmão da árvore; a árvore, pulmão ela própria; logo o vento, sua respiração, pensou Robinson. Imaginou seus pulmões, desfraldados, sarça de carne púrpura, polipeiro de corais vivos, com membranas rosadas, com esponjas mucosas. Agitaria no ar essa exuberância delicada, esse ramalhete de flores carnais, e uma alegria púrpura penetraria nele pelo canal de tronco inchado de sangue vermelho. 

Do lado do rio, um grande pássaro cor de ouro velho, de forma losangular, balançava-se fantasiosamente no céu. Sexta-feira, cumprindo sua misteriosa promessa, fazia voar Andoar” (Tournier, 2014, p. 181-182, grifos do autor).

Em sua escrita, Tounier nos apresenta como as árvores fazem rizoma com os ventos, com os ares, com os mares. É o filósofo Emanuelle Coccia que considera as folhas das plantas “um laboratório climático por excelência” (2018, p. 31). É através das folhas, da capacidade operatória dos plastídeos clorofilianos – organelas responsáveis pela fotossíntese – que as plantas criaram a biosfera tal como a conhecemos, proporcionando a respiração dos seres e mundos. De onde decorre a percepção de que as árvores têm a potência de fazer mundos, e não quaisquer mundos, mas mundos respiráveis, vivíveis, habitáveis, mundo-refúgios confortáveis termicamente, mundos acolhedores para muitos. Junto com as algas cianofíceas, árvores e outras plantas terrestres contêm o mistério disso que chamamos clima.

 

Árvores sabem fazer floresta e inventam um “oceano verde” em terra. A relação entre esse “oceano verde” e o “oceano gasoso atmosférico” é, para o agrônomo brasileiro Antônio Donato Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), um dos segredos tecnológicos que envolve a complexa ecohidrologia das florestas. Estudando especificamente a Amazônia, o cientista destaca como as árvores: através da transpiração, mantêm úmido o ar em movimento; emitem substâncias voláteis precursoras de sementes de condensação do vapor d’água, cuja eficiência na nucleação de nuvens resulta em chuvas fartas e benignas; funcionando como uma bomba biótica, são eficientes em manter as chuvas em quaisquer circunstâncias; exportam rios aéreos de vapor alimentando chuvas fartas que irrigam regiões distantes no verão hemisférico; atenuam a violência atmosférica, evitando eventos climáticos extremos como furacões. Daí que Nobre conclui: “Todos esses efeitos em conjunto fazem da majestosa floresta Amazônica a melhor e mais valiosa parceira de todas as atividades humanas que requerem chuva na medida certa, um clima ameno e proteção de eventos extremos” (2016, p.2). O que me faz pensar que as árvores são como corais terrestres, pois criam um gigantesco corpo que acolhe e prolifera inúmeras outras vidas, que cria condições de existência de vida colaborativa. As florestas geram um oceano verde terrestre capaz de produzir uma geografia das águas invertida, derramando aos céus rios voadores que, por sua vez, alimentam nascentes terrestres. E, deste modo, alimentam o sopro do mundo, fazendo rizoma com, literalmente, tudo que há de vivo na Terra. 

 

E a relação com o clima não envolve apenas os aspectos hidrológicos. Árvores fazem corpo com os mundos. São as grandes guardiãs do carbono da atmosfera, uma tarefa fabulosa que, infelizmente, foi nomeada de “sequestro de carbono”, expressão que parece pouco ter afetado as gentes por aí afora. Se aprendessemos com as árvores, talvez levássemos a sério o que liberamos na atmosfera. Cuidaríamos mais das emissões de carbono, e também das emissões que acontecem quando pensamos, falamos, escrevemos mais do mesmo, quando nos rendemos às ilusões, fake news e negacionismos (vale lembrar que não apenas as ciências sofrem com os negacionismos, artes, filosofias também, sobretudo as ciências, artes e filosofias dos povos originários, africanos e indígenas). E cuidar das emissões e disseminações não é controlar, mas é exercitar as artes e ciências da atenção, da dosagem e da “responsa-habilidade”, para usar uma expressão de Donna Haraway (2021). 

 

Se aprendessemos com as árvores a cuidar das emissões e disseminações saberíamos que algumas coisas precisam ser guardadas no corpo, como mistérios cósmicos. Saberíamos que pensar, escrever, fotografar, filmar, pintar… é fazer corpo com o mundo e repetir o mundo sempre com diferença. No corpo a corpo com os reinos das águas, do ar e da terra, as árvores criam um corpo fractal em que não há uma só folha, um só galho, ramo, raiz ou flor que seja igual ao outro. Não é à toa que os botânicos enfrentam, muitas vezes, dificuldades de classificação de espécies e consultam uns aos outros “para fazer com que a árvore diga o seu nome”, como defende a bióloga Alessandra Penha, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que entende as chaves taxonômicas como modos de entrar em comunicação com as árvores, fazê-las falar. Mesmo sendo de uma mesma espécie, cada árvore dramatiza em seu corpo as relações que estabelece com muitos de maneira singular. Nesse corpo a corpo com o mundo, também para a terra as árvores liberam abundantemente matéria viva e rica. Mesmo depois de mortas, as árvores e suas partes estão vivas, ou seja, sabem morrer, sabem criar, em morte, a vida do que chamamos de solo: essa camada sutil em que matéria orgânica entra em comunicação com a matéria inorgânica em combinações dinâmicas e cheias de disponibilidade para a vida nova. Tenho pensado nas aulas da disciplina de “Literatura, cultura e sociedade”, que ministro no curso de mestrado em Divulgação científica e cultural, do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), como os processos envolvidos na geração de um chão de floresta, uma serrapilheira, como queda,  fragmentação, acúmulo, decomposição e recomposição, são riquíssimos para problematizar e experimentar o que pode ser pensar, escrever, fotografar, filmar, pintar… Sobretudo porque é um convite a sentir como esses gestos podem proliferar modos de existir radicalmente conectados a esta terra/Terra, como as árvores. Árvores nos fazem sentir que não vivemos sem um solo, são seres para os quais não há como pensar em uma separação entre terra e Terra. Por isso, fazer árvore no pensamento é dar atenção ao orgânico e inorgânico, natural e cultural, atual e virtual, biótico e abiótico, local e mundial. Sempre fazendo rizoma: e… e… e… 

 

Fazer árvore no pensamento e na ação é opor-se ao desmatamento generalizado dos sentidos, à queimada inconsequente das diferenças e tramas de relações vitais, à aposta intensiva e dominante em monoculturas de ideias e sistemas comunicantes que automatizam o pensamento. O que se opõe ao rizoma não é a árvore, talvez seja um agroritmo humano demais. Um ritmo de anticultivo destruidor, avassalador, do qual todos participamos com nosso consumo desmedido de carne, combustível, açúcar, soja, máquinas, com a aquisição desenfreada de todo tipo de descartáveis e coisas desnecessárias, com o desperdício de alimentos e investimentos cada vez maiores nas plantations… Contribuímos também com um consumo desenfreado de palavras, ideias, significados e sentidos já prontos, produzidos de forma massificada, em larga escala, às custas de extinção de milhares de histórias entrelaçadas e da destruição de complexas ecologias de devires que as florestas convocam, devires mulher, bicho, criança, artista, intensivo, molecular, xamã, imperceptível…

 

 

Imagem do livro Floresta², organizado por Susana Dias e Alessandra Penha e produzido com os participantes da disciplina “Arte, ciência e tecnologia” que ofereci no MDCC-Labjor-IEL-Unicamp em 2019 e disponível em: http://climacom.mudancasclimaticas.net.br/livros-principal/floresta²

 

Precisamos encontrar o sol em nós, insiste o poeta Lawrence; se fizermos isso, “se começarmos com o sol, o resto virá, lentamente, lentamente”, diz ele (1990, p.121). Pensar com as árvores é um modo de reativar o sol em nós. Uma maneira de nos conectarmos com essa dimensão cósmica, o cosmos em nós, a floresta em nós, que foi esquecida por muitos. Precisamos reaprender árvore, reaprender a dar atenção às árvores. Dar atenção, e pra valer, às árvores, podemos pensar com a filósofa Isabelle Stengers, é experimentar o que pode “‘fazer pegar novamente’, como se diz das plantas – a capacidade de pensar e agir juntos” (2015, p. 148). 

 

Árvores são seres que aprenderam a construir um corpo gigantesco na relação com o sol, as águas, as terras, os ares. Árvores criam um corpo coletivo capaz de reunir, abrigar, multiplicar abundantes outros. Suas vidas promíscuas, vividas entre diferenças, nos ensinam que pensar é fazer corpo literalmente com o mundo. E esse fazer corpo com o mundo não é feito a partir de um plano dado antecipadamente, mas é contingente, depende das relações com o sol, a chuva, os ventos, os animais, os fungos, os humanos, as outras árvores e vegetais, os solos… Fazer corpo é lançar-se para terras e céus por caminhos imprevisíveis. E, ao lançar-se, reinventar-se junto com a reinvenção de terras e céus. Árvores sabem o que é uma vida mutuamente implicada. “Mesmo quando está só uma árvore nunca é solitária, é solidária. Tudo nelas é acolhimento”, diz o artista paulista Zay Pereira, que costuma observar as árvores que estão em meio às plantações de cana de açúcar no interior de São Paulo. Árvores participam de intrincadas e complexas cadeias alimentares, se multiplicam por minhoca, aranha, morcego, líquen, borboleta, formiga, macaco, cupim, cigarra, abelha, onça, pica-pau, tucano, musgo, gente… Isso tudo, muitas vezes, acontece em uma só árvore. Em sua pesquisa de doutorado, o biólogo Vanderlei Berto Júnior (2017) encontrou 35 espécies de formigas em apenas 4 árvores da cidade de Dourados, estado do Mato Grosso do Sul.

 

Dar atenção às árvores nas cidades é também perceber que elas se conectam, ramificam e multiplicam inclusive por postes, fios de eletricidade, calçadas, crianças, cachorros, gatos, mulheres, espíritos, palavras, mãos, máquinas, telas, livros… Somos afetados pelo intenso desejo de existir das árvores, elas nos chamam constantemente, elas pedem a atenção dos humanos e outros seres, pedem colheita, plantio, devoração, pedem fotografia, desenho, escultura, performance, poema, música, filme, escrita… Árvores não geram apenas árvores. A reprodução das árvores não se dá apenas em um plano biológico, mas também num plano fenológico, num plano semiológico, num plano socioambiental, em um plano político dos afetos. Árvores não geram apenas seres de sua mesma espécie, antes nos ensinam que tornar-se árvore é saber sair de árvore por muitos meios. Como já dizia o poeta Francis Ponge (1997): “Não se pode sair da árvore com meios de árvore”. Fazer árvore no pensamento é multiplicar as abundantes relações e canais comunicantes existentes entre inúmeras formas de vida. É abrir canais de comunicação multiespécies, multiescalares, multidimensionais. Solidarizar-se com o sol, as águas, os solos, os animais, fungos, gentes, dispor-se a fazer com muitos, a viver uma solidão povoada, mesmo quando distante geograficamente de outras árvores. 

 

Uma árvore é um arqueiro de muitas flechas. Seguir as direções dessas flechas, lançadas constantemente a muitos, é perceber que árvores não crescem e se desenvolvem em apenas em uma direção, é perceber que não há um em cima e um embaixo, mas antes linhas e fluxos multidirecionais que se intercruzam. Isso porque fazer árvore é criar vida coletiva, é gerar uma imensa biomassa viva, ativa, criativa que é pura doação para que outros múltiplos possam existir e proliferar. Fazer árvore na ação e no pensamento é entrar em comunicação com um mundo todo vivo onde existir é fazer existir com muitos e para muitos, em processos ricos de heterogeneses, de simbioses programadas e desprogramadas. Escutamos as vozes solares vegetais nos convocando a fazer vida coletiva, vida multiespécie. Um chamado a aprender a sintetizar vida com as estrelas, renovando as origens da vida insistentemente nesta Terra. Um convite a aprender a fazer “estudos multiespécies” (van Dooren; Kirkse; Münster, 2016), que dão atenção às relacões contingentes entre vários seres-coisas-forças enquanto múltiplos mundos estão se fazendo. 

 

A fotossíntese é um chamado da luz, do Sol, à vida em colaboração com muitos. As árvores sabem responder a esse chamado, sabem o que podem se tornar juntas, sabem se reunir, se manifestar, ocupar, povoar, agregar… Árvores levam a sério o que pode ser um viver junto entre heterogêneos que gere consequências afirmativas para todo o planeta. Uma árvore é um organismo, mas é também um lugar, um meio. Fazer árvore no pensamento é interrogar as separações entre sujeitos e meios, é pensar que todo organismo é “organismo-em-seu-ambiente” como propunha Bateson (2016). É pensar que uma árvore já é uma floresta. 

 

Também o botânico italiano Stefano Mancuso diz dessa percepção de que uma árvore já é uma floresta no livro A planta do mundo (2021): as árvores que estão em uma floresta, ou em um bosque, não estão separadas umas das outras. Através das raízes formam redes subterrâneas que as unem umas às outras, criam verdadeiras “redes rizomáticas” que fazem com que uma floresta possa ser vista como um imenso organismo interconectado. Onde há florestas há, do mesmo modo, florestas subterrâneas riquíssimas. “Um pouco como acontece em uma colônia de formigas: há muitas formigas que formam uma colônia, mas a colônia inteira se comporta como se fosse um único indivíduo. O mesmo vale para as árvores” (Mancuso, 2021, p.34). 

 

E não é apenas pelo solo que as árvores entram em comunicação umas com as outras. As descrições que Ursula Le Guin faz das florestas mostram o enredamento de ramos, cores, texturas que se produzem sob a terra:

 

“Quando o vento soprava, todos os tons de ferrugem e pôr do sol, vermelho-amarronzados e verdes-pálidos, se transmutavam incessantemente nas longas folhas. As raízes do salgueiro acobreado, grossas e estriadas, ficavam verde-musgo na base, perto da água corrente que, como o vento, se movia devagar, em muitos redemoinhos e pausas aparentes, hesitando ao passar por rochas, raízes, folhas pendentes e caídas. Na floresta, nenhum caminho era livre, nenhuma luz era contínua. Em meio ao vento, à água, à luz do sol, à luiz das estrelas, sempre se embrenhavam folhas e galhos, troncos e raízes, o sombrio, o complexo. Pequenas trilhas se estendiam sob os galhos, em volta dos troncos, sobre as raízes. Não seguiam reto, mas se rendiam a todos os obstáculos, tortuosos como nervos. O solo não era seco e sólido, mas únido e bastante maleável, produto da colaboração das criaturas vivas com a morte longa e elaborada das folhas e árvores. E daquele rico cemitério germinavam árvores de trinta metros e minúsculos cogumelos que brotavam em círculos de 1,5 centímetros de diâmetro. O cheiro do ar era sutil, variado e adocicado. A vista nunca alcançava longe, a menos que, olhando para cima, através dos galhos, se avistassem as estrelas. Nada era puro, seco, árido, simples. Faltava revelação. Não havia como enxergar tudo de uma vez; nenhuma certeza. As cores de ferrugem e pôr do sol oscilavam nas folhas pendentes dos salgueiros acobreados e sequer era possível dizer se as folhas dos salgueiros eram vermelho-acastanhado, verde-amarelado ou verde” (2020, p. 32).

 

O que me faz pensar que fazer árvore no pensamento e na ação talvez seja fazer um Komorebi. Essa palavra japonesa que resulta da junção dos ideogramas de árvore + escape/vazamento + dia/sol e que indica a passagem delicada dos raios de sol por entre as folhas e ramos das árvores e arbustos, e que gera pequenas cintilações, lampejos, dando acesso a percepções enevoadas, brumosas, parciais, indecidíveis, desconcertantes, permitindo encontros com uma irrupção de infinitas cores e texturas. O cinema experimental tem captado muito bem essa atmosfera sussurante das florestas, como nos filmes The Sadness of the trees (2015) de Mikel Ghillen & Scott Barley e Traces of garden (2016) de Wolfgang Lehmann. Filmes onde “Toda uma percepção esfumaceante, de nevoeiros e atmosferas outras onde, como nos diz Pierre Villemin, podemos apreender o mundo de modo mais imediato, mais incerto, mas mais próximo, mais alucinado, mas mais verdadeiro. Novos corpos perceptivos onde o humano escoa e deixa passar o cosmos sem resistência”, como escreve o cineasta colombiano Sebastian Wiedemann (2017), que trouxe esses filmes para a seção de arte da revista brasileira de arte e ciência ClimaCom <http://climacom.mudancasclimaticas.net.br/>, da qual sou editora.

 

Uma política do campo que faz escuta às árvores é, sem dúvida, a que prolifera agroflorestas. Nas agroflorestas os humanos participam de processos geradores de vida, o cultivo de legumes, hortaliças e grãos é feito conjuntamente com o plantio de árvores e arbustos e há um incentivo constante ao aumento de biodiversidade de todo tipo. A vida gerada nos sistemas agroflorestais “não é uma vida individual, mas um campo de ressonâncias” que precisa ser constantemente de-composto e cuidado, como aprendo com Tatiana Plens Oliveira, cuja pesquisa de doutorado em andamento na Faculdade de Educação da Unicamp – O corpo-solo e as aprendizagens (2021) – tenho o prazer de estar coorientando, junto com o professor Wenceslao Machado de Oliveira Júnior. Nas agroflorestas percebemos como “O homem é o que o solo faz dele”, como sempre dizia Ana Maria Primavesi, uma cientista austríaca radicada no Brasil e estudiosa dos solos, que reclama essa compreensão de que é o solo vivo que nos faz, e não nós que fazemos solo. E se pensarmos que árvores e arbustos fazem o solo junto com rochas, animais, chuvas, fungos, bactérias… talvez possamos pensar que são as florestas que cultivam os terranos, os humanos conectados a esta terra/Terra.

 

E o que seria uma política das cidades que fizesse escuta a essas potências das árvores? Teríamos mais e mais árvores convivendo com postes, casas, calçadas, ruas, livros, gentes de todos os tipos. Preferiríamos “ficar com o problema”, como insiste Donna Haraway (2019), seja das folhas e dos galhos caídos, dos acidentes com casas, carros, postes, pessoas, do entupimento de bueiros, das calçadas arrebentadas, da proliferação de animais de modo desequilibrado… Sim, não podemos romantizar o encontro com as árvores, não será sem perigos e riscos que esses encontros acontecerão nas cidades e nos campos. Mas ficar com esses problemas poderia gerar empregos, ligados: aos estudos das idades das árvores, à seleção de espécies, ao acompanhamento do desenvolvimento, aos cuidados com podas, ao aproveitamento de frutos, madeiras, flores, sementes… Saberíamos todos das melhores espécies para plantio, as melhores épocas do ano, a melhor lua. Envolveríamo-nos todos em plantas, cuidaríamos de mudas durante 3, 4, 7, 10 anos, o tempo que fosse necessário para que resistissem sozinhas quando plantadas. Conviveríamos com seus lentos crescimentos, seus desafios, seus entusiasmos, suas mortes. Escreveríamos e pensaríamos mais com as árvores. Seríamos convocados a aprender com as árvores a criar um corpo fractal, capaz de ampliar infinitamente o tamanho do planeta Terra. Experimentaríamos as árvores como nossas “espécies companheiras” e aumentaríamos infinitamente as “zonas de contato” entre heterogêneos, entre-reinos, que tanto interessam à filósofa Donna Haraway (2021). Ao invés de nos deslocarmos para o campo, o que pode gerar uma destruição avassaladora de outros espaços e o abandono de cidades inteiras em que muito material já foi gasto e investido, faríamos florestas nas cidades. Acentuaríamos o conforto, o alimento, a alegria, a umidade, o oxigênio, a beleza, a solidariedade, a humildade… Aumentaríamos a chance de fazermos “parentescos aberrantes” (Haraway, 2021) com os não humanos, experimentando encontros que vão além dos humanos, arriscando-nos a pensar os encontros com as extrahumanidades e as sobrenaturezas.

 

 

Imagem do livro Árvores companheiras, cuja criação eu coordenei e foi organizada por mim junto com Ana Paula Pereira, Bruno Novaes Poli, Jorge Luis Massaro, Maria Madalena Felinto Pinho Ramos, Mariana Vilela, Maurício Simionato, Néliane Catarina Simoni, Pâmella De Caprio Villanova e produzido com os participantes da disciplina “Arte, ciência e tecnologia” que ofereci em 2020 no MDCC-Labjor-IEL-Unicamp. Disponível em: http://climacom.mudancasclimaticas.net.br/arvores-companheiras/ 

 

Em todos os templos de orixás que visitei na Nigéria havia uma árvore sagrada. Aprendi com Olaolo O. O. Dada (2019) –  quando o entrevistei na Nigéria junto com Oba Ojele e Sebastian Wiedemann no templo de Obàtálá onde ele ocupa o cargo de Obalesun – que em certo momento da história do povo Yoruba o orixá Obàtálá (Oxalá no Brasil), a pedido de Olódùmarè (Deus para os Yoruba), transformou árvores em pessoas, para que houvesse gente para aproveitar a abundância de alimentos gerados pelas árvores. A escritora Toni Morrison (1983) disse em uma entrevista que a relação dos negros com as árvores é uma questão de estilo. E em sua obra Jazz (2009) podemos acompanhar a presença das árvores na vida de vários personagens, sendo que uma delas sugere um parentesco entre árvores e humanos:

 

“Quem já viu uma coisa dessas? Morar na Cidade era a melhor coisa do mundo. O que se tem para fazer no campo? Quando estive em Tuxedo quando eu criança, já naquela época achei chato. Quantas árvores a gente pode olhar? Foi o que eu disse para ela. ‘Quantas árvores a gente pode olhar? E por quanto tempo, e daí’.

“Ela disse que não era assim, olhar um monte de árvores. Ela me falou para ir até a rua Cento e Quarenta e Três e olhar a grandona que tem na esquina e ver se era homem, mulher ou criança.

“Eu ri, mas antes que pudesse concordar com as cabeleiras que ela era louca, ela disse: ‘Para que serve o mundo se a gente não pode inventar ele do jeito que quiser?’

“‘Do jeito que eu quiser?’

“‘É. Do jeito que você quiser. Você não quer que o mundo seja alguma coisa mais do que ele é?’

“‘Para quê? Não dá para mudar o mundo’.

“‘Por isso mesmo. Se você não inventa o mundo, ele muda você e o azar é só seu se você deixa. Eu deixei. E estraguei a minha vida’.

“‘Estragou como?

“‘Esqueci’.

“‘Esqueceu?’

“‘Esqueci que era minha. Minha vida. Fiquei correndo pela rua para cima e para baixo querendo ser outra pessoa’.

“‘Quem? Quem você queria ser?’

“‘Não tanto quem, mas o quê. Branca, Leve. Moça de novo.’

“‘Agora não quer mais?’

“‘Agora quero ser a mulher que minha mãe não durou para ver. Essa. Essa que ela teria gostado e que eu gostava antes… (p. 192)

A percepção dessas ancestralidades mais que humanas abrem novas sensibilidades e colocam sob perspectivas não humanas as relações de corresponsabilidades. O líder indígena, filósofo e escritor brasileiro Ailton Krenak diz da potência desses parentescos, entre humanos e não-humanos, de florescerem “pessoas coletivas” (2019) comprometidas com a defesa e proteção dos seus parentes. Para os Krenak, é o rio Watu, o Rio Doce, que é considerado avó desse povo. Com a obra de Toni Morrison podemos pensar que da celebração desse parentesco pode fulgurar a invenção de mundos em que a mudança, a inventividade e o improviso permitem descolonizar as perspectivas da história da diáspora afro-americana e abrir o futuro aos devires. E a literatura é esse chamado aos devires, espaço-tempo privilegiado de pensarmos de modo especulativo: “e se nos tornássemos animal ou vegetal por literatura…?” (Deleuze; Guattari, 1995, p. 12). 

 

Entre os Yoruba a relação com as árvores dá a pensar várias outras questões. As árvores não apenas são ancestrais de alguns humanos, mas são canais de comunicação com os ancestrais, são conexões entre planos, escalas e dimensões. Aprendi com o babalorixá nigeriano, Oba Ojele, filho de Olaolo Dada, e com sua esposa, a ialorixá brasileira Yeye Ojele, que as sementes de uma palmeira (os ikins) permitem uma conexão com o orixá da sabedoria Ifá. Todos os anos os babalaôs do povo Yoruba (sacerdotes desse povo) entram em comunicação com Ifá através dessas sementes para conhecer histórias antigas que estão conectadas com o futuro, com o que pode ou não acontecer naquele ano. Essas histórias antigas – o chamado Corpo literário de Ifá ou Corpo divinatório de Ifá – contêm versos que contam/poetizam as histórias dos orixás quando viveram na Terra. As sementes (os ikins) dão acesso a esses versos, às histórias antigas, e permitem aos Yoruba acessá-las. Os Yoruba sabem que, a cada ano, essas histórias podem se repetir e o desafio de estar vivo consiste em repetir com diferença essas histórias, produzindo encontros alegres com o passado e evitando aquilo que pode gerar acidente e infortúnio, infertilidade e separação, pobreza e morte. Os Yoruba sabem que uma semente já é uma floresta, como escreveram Oba Ojele e Yeye Ojele – antes de suas coroações, quando se chamavam Faseyi Awogbemi Dada e Glória Freitas – no ensaio Dialogando com a semente de obi ou a floresta: um convite para conhecer um pouco da nossa tradição religiosa e cultura Yoruba (2018) que publicamos na ClimaCom. Há ainda outra árvore, a árvore de obi – da espécie Cola acuminata – que permite aos Yoruba fazer uma conexão com os orixás. Novamente é a semente que, separada em quatro partes, pode funcionar como um oráculo e/ou oferenda e permitir uma conexão com os orixás, uma consulta aos ancestrais. 

 

Pensar o fazer árvore no pensamento e na ação com os Yoruba é estar atento a quais as ideias, práticas e materiais têm potência de conexão entre o Aye (Terra) e o Orun (céu), perceber o que permite acessar diferentes dimensões da realidade (tangível e intangivel, visível e invisível) de modo afirmativo, que pode nos conectar às nossas tarefas da Terra. Fazer árvore no pensamento e na ação é dispor-se a criar um corpo que não cessa de se recriar, de se diferenciar em relação ao passado, às outras vidas. Árvores convidam a criar um criar um corpo-pensamento imanente, em que em qualquer de suas partes ressoa todas as outras. Como nos experimentos de David Lapola (2020), do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp, onde ele estuda as pontas das raízes das plantas e a partir desse estudo, que articula artes e ciências, visualiza toda a planta, acessa suas histórias, histórias vividas junto com águas, ares, solos, bichos, plantas, fungos, bactérias, humanos, outras árvores. Com os Yoruba, somos chamados a zelar por aquilo que tem força de semente, que pode conter uma espécie de “fórmula cósmica”, para usar a expressão de Pierre Montebello (2017), capaz de engravidar o humano com algo infinitamente mais amplo, de lançá-lo ao encontro de suas zonas de indiscernibilidade com o cosmos através de exercícios de impersonalidade que reativam a fonte de vida.

 

Também entre os Yanomami a relação entre as árvores e as palavras, histórias, se dá de maneira muito interessante. O xamã David Kopenawa e o antropólogo Bruce Albert contam em A queda do céu (2015) como os luminosos xapiri vão buscar as palavras nas árvores antigas e sagradas, são elas que ensinam os xapiri a falar e que, por sua vez, ensinam os xamãs a falar. Há uma percepção de uma relação entre a palavra e as árvores que se dá de modo radicalmente distinto de uma perspectiva humana demais em torno das palavras. As árvores emergem como guardiãs também das histórias antigas, verdadeiros portais de acesso às palavras que são potentes, aliadas à vida. 

 

Tenho pensado, em parceria com as árvores, que diante do Antropoceno o que precisamos é “perceber-fazer floresta” (Dias, 2020), o que passa por sentir que uma árvore já é um rizoma. As imagens que acompanharam este texto advém de três livros-objeto que tive a honra de produzir e publicar na seção de livros – Mil afetos – da revista ClimaCom. São livros feitos a muitas mãos e gerados nas disciplinas “Arte, ciência e tecnologia” que ofereço no MDDC-Labjor-IEL-Unicamp. Cada um deles experimenta diferente problemas suscitados no encontro com as árvores e que aqui foram explorados. Fica o convite para que entrem em relação com essas criações e sintam como ressoam estes pequenos sopros.

 

Por essas questões que me acompanham, e que aqui explicitei, não me canso das árvores, mas sim dos falsos problemas que nos impedem de proliferar as existências das árvores de maneira potente por modos de existir fílmicos, fotográficos, pictóricos, escultóricos, de escrita… É urgente plantar árvores, e escrever também pode, e precisa, se tornar um modo de plantar árvores. Isso porque plantar árvores não se resume a investir em uma alternativa tecnológica para as mudanças climáticas, plantar árvores é combater o capitalismo e enfrentar o que os desafios que o Antropoceno nos impõe. Árvores não são meros recursos naturais, são coconspiradores na árdua tarefa de reconstituir os refúgios, de criar climas-mundos vivíveis, respiráveis, de gerar pensamento e vida multiespécie…

 

Notas

 

1 Este texto nasce de conversas com o amigo e poeta Luís Serguilla que resultaram em uma mesa proposta para o evento Raias poéticas: Afluentes Ibero-Afro-Americanos de Arte e Pensamento (10ª edição), do qual ele foi curador junto com Marcelo Ariel. O evento foi apoiado pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão e pela Casa das Artes de Famalicão. Para a mesa, intitulada Uma árvore já é um rizoma, a Dobra de pensamento de número 23, convidei a bióloga Alessandra Penha, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar de Araras), e o cineasta Sebastian Wiedemann, da Escola de Educação e Pedagogia da Universidade Pontifícia Bolivariana (UPB-Colômbia). Ambos parceiros de muitas criações com as árvores, desde oficinas, aulas, textos, experimentações fotográficas, livros e que tive a honra de ter junto, mais uma vez, na incansável tarefa de honrar as árvores. A mesa aconteceu dia 6 de agosto de 2021 e foi transmitida pelo canal do Youtube da revista InComunidade: https://www.youtube.com/watch?v=DSTosxWhv0k.

 

Bibliografia

 

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Susana Oliveira Dias é bióloga e artista visual, pesquisadora no Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde é professora no Mestrado em Divulgação Científica e Cultural (MDCC), do Labjor e Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), ministrando as disciplinas de “Arte, ciência e tecnologia” e “Literatura, cultura e sociedade”. É líder do grupo de pesquisa “multiTÃO: prolifer-artes sub-vertendo ciências, educações e comunicações”, editora da Revista ClimaCom e cocoordenadora do Tema Transversal de Comunicação do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT-Mudanças Climáticas Fase 2), financiado pelo CNPq projeto 465501/2014-1, Fapesp Projeto 2014/50848-9 e a Capes Projeto 16/2014.

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