Cultura

“Querida cidade”, de Antônio Torres | Décio Torres Cruz

O romance “Querida cidade”, de Antônio Torres

Após quinze anos sem escrever um romance, o imortal da Academia Brasileira de Letras Antônio Torres retorna ao gênero com “Querida cidade”.

Décio Torres Cruz

Live de lançamento

https://www.youtube.com/watch?v=XT3sHqU-xv8

 

Live de lançamento do romance “Querida cidade”, pela editora Record, com os escritores Antônio Torres, Marcelo Moutinho e o jornalista Pedro Tinoco.

 

O romance “Querida cidade”, de Antônio Torres foi lançado no Brasil no último dia 16 de Agosto. Conhecido por seu estilo inovador e temas e cenários bastante variados a cada livro, desta vez o autor torna a surpreender os leitores com uma narrativa pop e cinemática bastante diferenciada, na qual a música acompanha a nossa leitura como uma trilha sonora de um filme a se projetar na tela de nossas mentes. 

 

A cidade, a grande protagonista e musa inspiradora do narrador, torna-se um arquétipo e também um enigma a ser decifrado pelo leitor à medida que avança em sua leitura.

 

Tocando em temas bastante atuais, o narrador desnuda a alma brasileira em toda sua beleza, solidariedade e magia, mas também revela toda sua pequenez, mesquinhez, sua hipocrisia e fanatismo religiosos, seu racismo e preconceitos disfarçados sob o manto da religião.

 

Utilizando técnicas cinematográficas modernas de avanços e retornos narrativos, as vozes de grandes músicos e escritores são ouvidas ao longo do romance, tudo isso aliado ao lirismo de uma linguagem poética bastante expressiva e ao suspense de ganchos narrativos que impulsionam o leitor a seguir em frente, como no seguinte trecho:

 

“As águas que o ilhavam, como a um náufrago num bote salva-vidas perdido no oceano, não espelhavam o rosto daquela que sua memória pintava como um vulto soturno, desgostoso, circunspecto, sinistro; uma alma condenada ao degredo em um tugúrio sepulcral, numa ruela erma e sombria. E o pior é que sequer se lembrava como era que ela se chamava. Nem do nome da rua, do bairro, e do número da casa, de seus cômodos, se eram apenas pouco maiores do que caixas de fósforos ou não. Teria batido palmas como aviso de que iria adentrar aquele lúgubre recinto, que à noite cheirava a bebida alcoólica e charuto barato? E dessa vez o ambiente lhe fora acolhedor ou assustador?”

 

Este é o 12o. romance do autor, que estreou na literatura em 1972 e desde então teve vários de seus livros premiados e traduzidos em diversos idiomas pelo mundo afora. Para quem ainda não o conhece, vale a pena a sua leitura. Para quem já o conhece, prepare-se para se surpreender. Boa leitura!

 

***

 

Sinopse

 

Após quinze anos sem escrever um romance, o imortal da Academia Brasileira de Letras Antônio Torres retorna ao gênero com Querida cidade. Há escritores para quem o passado, o presente e o futuro não existem em separado, são uma coisa só. Essa fusão dos tempos faz com que seus personagens experimentem, simultaneamente, a vida que já viveram, responsável por eles serem como são, e a vida que ainda irão viver, pois a todo instante quem são hoje influencia, ou até determina, quem serão amanhã. Antônio Torres é um desses escritores. Querida cidade acompanha a história de um protagonista que, assim como outros personagens do livro, deixou a pequena cidade onde nasceu – para tentar uma vida melhor, para estudar ou mesmo para fugir de algo. Ao conversar com a mãe sobre o pai, que sumiu sem deixar vestígios muitos anos antes, o filho rememora a sua própria trajetória de êxodo, independência, fracasso e eventual retorno às origens. Por meio de lembranças, projeções e referências culturais de um Brasil profundo, a narrativa costura o onírico e o cotidiano, amor e melancolia, desalento e aceitação. Triunfo de um grande autor em sua melhor forma.

 

 “Leiam Antônio Torres.  É muito bom este senhor aí”

 Jorge Amado 

 

“Nascido na Bahia, e marcado indelevelmente pelo sertão, Antônio Torres escreve a fascinação das cidades-labirintos.” 

Le Nouvel Observateur

 

“Torres herdou as técnicas narrativas dos modernistas europeus, norte-americanos e latino-americanos juntamente com as grandes tradições orais do Brasil.” 

Los Angeles Times

 

“Sua literatura tem uma força poética que trata o sórdido e o triste como partes de uma engrenagem criativa indisposta a falsificar a realidade ou a transgredir com os subterfúgios o que a história quer silenciar.” 

Nélida Piñon

 

Legenda “’’Querida cidade’’, de Antônio Torres_2”.

 

Autor: Antônio Torres

 

ISBN 9786555870114

Título Querida Cidade

Editora Record

Ano de Edição 2021

Idioma Português

Número de Páginas: 432

País de Origem Brasil

Origem Brasil

Edição 1

 

 

Décio Torres Cruz é escritor, crítico literário, poeta, contista, professor e pesquisador brasileiro. Ex-bolsista da Fulbright, obteve seu Ph.D. em Literatura Comparada na State University of New York (SUNY) em Buffalo, EUA. É mestre em Teoria da Literatura, especialista em Tradução e bacharel em Letras/Língua Estrangeira, com concentração em língua e literaturas de língua inglesa pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Fez pesquisa pós-doutoral sobre as adaptações de Shakespeare para o cinema na Leeds Metropolitan University, Inglaterra. Além de The Cinematic Novel and Postmodern Pop Fiction: The Case of Manuel Puig (Amsterdã; Filadélfia: John Benjamins, 2019), é autor dos seguintes livros: Paisagens Interiores: Poemas (inédito, lançamento previsto para 2021); Literatura (pós-colonial) caribenha de língua inglesa (Salvador: Edufba, 2016); Postmodern Metanarratives: Blade Runner and literature in the age of image (London; New York: Palgrave Macmillan, 2014); English Online: Inglês instrumental para informática (São Paulo: Disal, 2013); O pop: literatura, mídia & outras artes (Salvador: Quarteto/Uneb, 2003; 2013); Idea Factory: 100 Games and Fun Activities for your English Classes (Salvador: Edufba, 2012; 2013); 

 

Antônio Torres é o oitavo ocupante da Cadeira nº 23, eleito em 7 de novembro de 2013, na sucessão de Luiz Paulo Horta e recebido em 9 de abril de 2014 pela Acadêmica Nélida Piñon. Estreou na literatura em 1972, com o romance “Um cão uivando para a Lua”, considerado pela crítica a revelação do ano. É também contista, cronista e autor de uma história para crianças. Sua obra tem tido várias edições no Brasil e traduções em muitos países, da Argentina ao Vietnã. De 1999 a 2005, foi Escritor Visitante da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, onde realizou oficinas literárias, palestras e aulas inaugurais nos campos do Maracanã, São Gonçalo (Faculdade de Formação de Professores) e Duque de Caxias (Faculdade de Educação da Baixada Fluminense).

 

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