Poesia & Conto

Dois contos

Diário de Uma Mãe Desesperada

O AK-47 abraça um homem no dia do seu aniversário. Os assassinos também nasceram numa data e morrem noutra data, igual aos Homens de honra que merecem ser celebrados em vida e ainda que após a sua morte. O ânus desassossegado pede que a bala o acaricie, sangue de uma morte premeditada cai sobre terra quando a bandeira hasteia a grandeza do ácido úrico com que se faz o campo agrícola da nação.

“Embora o tenha visto matar um inocente, é meu filho, meu filho é inocente.” Pensa a mulher vestida de óculos de água e sal que escreve a tinta de oxigénio as dores com que ofega enquanto dorme sobre a rede tétrica de um sonho anulado pelo destino.

Ela reza de joelhos diante de um Deus que perdoa seja qual for o tamanho do pecado e o seu pecado assim como o do filho é o pecado da miséria.

É alto, elegante e jovial, os assassinos também são garbosos como se fossem gente também, têm cabelos bem engomadinhos, vestes formais porque honram o diploma de um assassino qualificado que a universidade da matança lhes confere; têm dentes brancos como o vácuo quando o espírito abandona o corpo, perfumados como se fossem um cemitério, nasceram duma mãe embora se confundam com crias duma fera indomável.

“O pão que vai à nossa mesa todos os dias é feito de trigo de morte, cozido no forno satânico, mas a fome não tem valores e nem crenças, a fome tem apenas fome.” Ela reza de joelhos diante de um Deus que perdoa seja qual for o tamanho do pecado e o seu pecado assim como o do filho é o pecado da miséria.

Dias de Incerteza

Quando a incerteza chutou a porta da desgraça viu-se a corda grossa subindo as paredes da dúvida como um pêndulo moveu-se ao vácuo e a cal pintando novas áreas do edifício caiu no balde de sangue entornado ao soalho e um andaime desequilibrado cobriu o dia com suas folhas, ramos colorindo o dia de desesperança e gentes de trajes lúgubres.

Deusa d’África

Deusa d’África nasceu aos 05 de Julho de 1988 em Moçambique, é mestre em Contabilidade e Auditoria e actualmente é professora na Universidade Pedagógica e na Universidade Politécnica. É Gestora Financeira do Projecto Global Fund – Malária. Começou a escrever poesia em 1999. A autora é representada pela agência literária “Capítulo Oriental”. Possui várias obras (prosa e poesia) publicadas na imprensa como é o caso de “Jornal Notícias”, “O País”, “Pirâmide”, “Diário de Moçambique”, em revistas tais como “Xitende” e “Varal do Brasil”, foi antologiada pela “Colectânea Veríssimos” editada em 2012 por Alpas XXI, Antologia Brasileira “Mil Poemas para Gonçalves Dias” em 2013, pela Academia de Letras e Artes Luso – Suíça “Caravelas em Viagem” em 2016. 

Viu alguns dos seus trabalhos traduzidos para sueco. É Coordenadora Geral da Associação Cultural Xitende, é palestrante, activista cultural, promotora do direito à leitura e mentora do projecto Círculo de leitores. É colunista do Jornal “Correio da Palavra”.

É autora de obras como “A Voz das Minhas Entranhas” (poesia) editado pelo Fundac em 2014, o romance “Equidade no Reino Celestial” e “Ao Encontro da Vida ou da Morte” (poesia) pela Editora de letras de Angola em 2016. Coordenou a Antologia poética “Vozes do Hiterland” publicando escritores de Gaza e Niassa, editada pela Editora de Letras de Angola em 2016. Em 2016 foi Coordenadora para Moçambique da Antologia editada em Galiza “Galiza-Moçambique: Numa Linguagem e Numa Sinfonia” sob coordenação geral do escritor José Estevez publicando escritores de Moçambique e Galiza. 

Foi distinguida pelo Governo Provincial de Gaza como Personalidade do ano 2016 em reconhecimento do seu patriotismo e pela sua contribuição no desenvolvimento e promoção das artes e cultura. Foi premiada como vencedora absoluta na modalidade de poesia e foi vencedora do segundo lugar em contos nos Concursos Literários Internacionais lançados na República Federativa do Brasil por Alpas XXI em 2012. Em Março de 2017 representou Moçambique no Festival Literário de Macau. Em 2018 foi antologiada pelo Festival Literário de Macau “Seis em ponto, contos e outros escritos VI”, traduzido em inglês “Six on the dot, short stories and other writings VI” e depois traduzido em chinês. Ainda em 2017 foi antologiada em “À Margem da Literatura” pela UCCLA. Foi antologiada em Macau no “Rio das Pérolas” livro de poesia em 2019.

Em Julho de 2019 participou no Festival Internacional Poetas d´Alma em Maputo.

Participou no primeiro encontro realizado em África e em Moçambique, de Poetas del Mundo em Outubro de 2019, como Embaixadora do Movimento Poetas del Mundo para Gaza.

Foi antologiada em Macau no “Rio das Pérolas” livro de poesia em 2020.

Participou no encontro internacional “Poemas e Poetas de Macau” no dia 12 de Julho pela live no zoom, organizado pela fundação Rui Cunha, um poema na vila e amigos do livro de Macau.

Ministrou a conferência sobre “Poesia e Feminismo” por meio de Live na rede social Instagram, aos 16 de Julho de 2020 contribuindo para as atividades do Grupo de Pesquisa MOZA (Moçambique e Africanidades), credenciado pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB, Brasil) e certificado pelo CNPq ( Conselho Nacional de Pesquisa, Brasil).

Foi palestrante no ciclo de lives sobre literaturas africanas: LITERÀFRICA EM REDE com o tema “Deusa d´Africa: Vida e Obra” aos 30 de agosto de 2020.

Participou no I Colóquio Internacional de Literatura “Baobá em Flor” em novembro de 2020, organizado pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB, Brasil).

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